Cidades Geral

Operação Déjà Vú mira grupo que usava Juiz de Fora como base para tráfico de drogas

Operação Déjà Vú cumpre mandados em quatro cidades de MG e investiga organização que usava Juiz de Fora para receber e distribuir drogas.

5 min de leitura
Itens encontrados durante a Operação Déjà Vú.
Foto: Divulgação/MPMG

Uma operação deflagrada nesta quarta-feira (23) investiga uma organização criminosa suspeita de atuar no tráfico interestadual de drogas e usar Juiz de Fora, na Zona da Mata, como principal base logística. Batizada de Operação Déjà Vú, a ação cumpre 13 mandados de prisão, 30 de busca e apreensão e 26 ordens de sequestro e bloqueio de bens.

✅ Siga o nosso canal no WhatsApp

Além de Juiz de Fora, as medidas são realizadas em Barbacena, Piau e Belo Horizonte. Segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a Justiça autorizou o bloqueio de imóveis, veículos, valores em contas bancárias, investimentos e criptoativos dos investigados até o limite de R$ 70 milhões.

Grupo teria movimentado mais de R$ 70 milhões

De acordo com o MPMG, a organização criminosa teria movimentado mais de R$ 70 milhões com a venda de drogas nos últimos 18 meses. As investigações apontam que Juiz de Fora funcionava como ponto de recebimento, armazenamento, fracionamento e distribuição dos entorpecentes.

Para esconder as cargas, os investigados utilizavam imóveis de alto padrão, como granjas e casas localizadas em condomínios fechados. Durante o cumprimento dos mandados, as equipes também localizaram um laboratório utilizado para o refino de drogas e um bunker que seria usado como depósito.

Até o primeiro balanço divulgado durante a operação, haviam sido apreendidos veículos, uma arma de fogo, imóveis e grande quantidade de drogas. Além dos mandados de prisão, outras três pessoas foram presas em flagrante.

Como funcionava o esquema de tráfico

As investigações começaram a partir da troca de informações entre as áreas de inteligência do Ministério Público e da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Os levantamentos indicaram que os entorpecentes eram obtidos no interior de São Paulo, no Paraná e na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Depois de chegarem à Zona da Mata, as drogas eram distribuídas para traficantes do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, além de abastecer o mercado local. Dessa forma, Juiz de Fora teria desempenhado um papel central na logística da organização investigada.

Durante o período de investigação, foram identificados quatro episódios de tráfico que resultaram na apreensão de 195 quilos de pasta-base de cocaína e 476 quilos de maconha. Segundo o MPMG, as apreensões representaram um prejuízo estimado em R$ 7 milhões para o grupo.

Caminhonetes tinham fundos falsos para transportar drogas

A investigação também identificou diferentes estratégias utilizadas para transportar os entorpecentes e dificultar a fiscalização nas rodovias. Entre elas estavam caminhonetes modificadas com fundos falsos sob a carroceria e veículos utilizados para fazer a escolta das cargas.

O grupo também contava com empresas de guincho. Conforme as investigações, os serviços eram utilizados como uma espécie de suporte para recuperar veículos e cargas caso os automóveis usados no transporte apresentassem problemas durante o trajeto.

Os investigadores ainda identificaram o uso de identidades civis falsas por integrantes apontados como líderes da organização. A medida teria como objetivo dificultar a identificação dos envolvidos pelas autoridades.

Investigação aponta lavagem do dinheiro do tráfico

Além do transporte e da distribuição das drogas, a organização é investigada por lavagem de capitais. Segundo o MPMG, parte dos recursos obtidos com o tráfico teria sido utilizada na compra de veículos e imóveis registrados em nome de terceiros.

As investigações também apontaram o uso de atividades comerciais aparentemente lícitas para tentar ocultar a origem do dinheiro. A Justiça autorizou o bloqueio de bens e ativos dos investigados como parte das medidas para atingir a estrutura financeira da organização.

O bloqueio pode chegar a R$ 70 milhões e inclui imóveis, veículos, contas bancárias, investimentos e criptoativos. O valor representa o limite determinado judicialmente para as medidas patrimoniais, e não necessariamente o montante que já foi efetivamente bloqueado.

Quais cidades são alvo da Operação Déjà Vú

As medidas judiciais são cumpridas em quatro municípios de Minas Gerais:

  • Juiz de Fora, na Zona da Mata;
  • Barbacena, na região Central;
  • Piau, na Zona da Mata;
  • Belo Horizonte, na Região Metropolitana.

A maior concentração da operação está relacionada a Juiz de Fora, apontada pelo MPMG como o principal ponto de referência logística e entreposto utilizado pela organização para receber e distribuir as drogas.

Operação reúne diferentes forças de segurança

A Operação Déjà Vú conta com a participação de promotores de Justiça, servidores e agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), além de policiais militares, civis e penais.

Também participam equipes especializadas da Polícia Militar, da Delegacia Regional de Juiz de Fora e da inteligência do Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen-MG). A atuação conjunta busca cumprir as ordens judiciais e reunir provas sobre o funcionamento da organização.

As investigações continuam, e o balanço da operação pode ser atualizado conforme o cumprimento dos mandados e a análise do material apreendido.

Conteudos relacionados

Divulgação do Programa Mulheres Mil.

Geral

Programa Mulheres Mil oferece 1,3 mil vagas gratuitas em Minas Gerais

Geral

Planos de saúde terão que disponibilizar DIU hormonal para casos de endometriose a partir de outubro

Receita Federal aberta em celular, representando o lote da malha fina em Setembro.

Geral

Receita abre consulta a lote da malha fina do Imposto de Renda; veja quem recebe