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Prefeito de BH rejeita projeto que cria multa para uso de drogas em locais públicos

Multa de R$ 1,5 mil para uso de drogas em locais públicos foi aprovada pela Câmara em maio, mas prefeitura considerou medida inconstitucional

2 min de leitura
Prefeito Álvaro Damião vetou projeto sobre uso de drogas em locais públicos de BH
Prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), vetou projeto que previa multa para uso de drogas em locais públicos da capital (Foto: Prefeitura de Belo Horizonte/Divulgação)

O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), rejeitou o projeto que criava uma multa de R$ 1,5 mil para quem fosse flagrado usando ou portando drogas ilícitas em áreas públicas da capital. A decisão foi publicada no Diário Oficial no sábado (27).

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A proposta já havia sido aprovada pela Câmara em maio, com 26 votos a favor, oito contra e duas abstenções. A cobrança valeria para ruas, praças, viadutos e quadras e centros esportivos da cidade. Quem fosse pego uma segunda vez no intervalo de 12 meses pagaria o dobro.

Por que o prefeito vetou a multa para uso de drogas em locais públicos

O Executivo seguiu parecer da Procuradoria-Geral do Município (PGM), que classificou a proposta como inconstitucional. Pela Constituição, só o Congresso Nacional pode criar leis penais. 

O uso e o porte de drogas já são tratados pela Lei Federal nº 11.343/2006, que pune essas condutas com orientação ao usuário, trabalho comunitário e cursos educativos. Adicionar uma multa municipal sobre o mesmo tema seria, na visão da PGM, uma sobreposição sem respaldo legal. 

A Defensoria Pública de Minas Gerais também contestou a proposta durante a tramitação na Câmara. 

Secretarias de Saúde e Assistência Social também foram contra

Além da questão legal, duas secretarias da própria prefeitura também questionaram a proposta. 

A Secretaria de Saúde argumentou que punir financeiramente o usuário não resolve o problema, já que o consumo de entorpecentes está ligado a questões de saúde mental e vulnerabilidade. Para a secretaria, o caminho deveria ser o investimento em acolhimento e em programas que diminuam os riscos associados ao uso.

Já a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos avaliou que a medida poderia resultar em fiscalização seletiva, com impacto maior sobre a população negra e periférica. 

Câmara pode derrubar o veto

O Projeto de Lei 155/2025, de autoria do vereador Sargento Jalyson (PL), também previa que o multado poderia deixar de pagar caso aceitasse se submeter a um programa de tratamento contra dependência química. Se cumprisse todas as etapas, a dívida seria cancelada.

Com a rejeição integral do prefeito, o texto retorna agora aos vereadores. Para derrubar o veto, os vereadores precisam de pelo menos 25 votos entre os 41 da Casa.

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