A Copasa tem um novo maior acionista privado. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a compra de 30% da companhia pelo Grupo Equatorial na quarta-feira (5/8). A Gerais Saneamento S.A., braço do grupo, assume essa posição na empresa que abastece 636 cidades mineiras.
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Os argumentos que quase travaram a aquisição da Copasa pelo Equatorial
O Sindágua-MG, sindicato dos trabalhadores da companhia, havia recorrido ao Cade pedindo uma análise mais detalhada do negócio e, se necessário, restrições à operação. O relator, conselheiro José Levi Mello do Amaral Júnior, negou todos os pedidos.
A primeira objeção era que o Equatorial, por já deter 15% da Sabesp, se tornaria forte demais para disputar licitações do setor em todo o Brasil. O Cade reconheceu a possibilidade de competição futura por concessões, mas não encontrou provas de prejuízo real à concorrência. O voto acrescentou que, no mercado local, Copasa e Equatorial atuam em cidades diferentes.
O sindicato também alegou que a participação nas duas companhias dificultaria a fiscalização independente de cada uma e abriria brechas no tratamento de dados dos consumidores. O Cade entendeu que esse tipo de questão cabe aos órgãos reguladores do setor.
Por fim, o Sindágua-MG questionou se a entrada do Equatorial na Sabesp deveria ter sido reavaliada junto com a operação da Copasa. O relator rejeitou: aquela operação já havia sido analisada e aprovada pelo próprio Cade em 2024.
A votação e os R$ 8,38 bilhões
Os deputados da Assembleia Legislativa de Minas Gerais aprovaram a privatização em 17 de dezembro de 2025. O então governador Romeu Zema assinou a lei seis dias depois.
A operação foi concluída em 16 de junho de 2026, na B3, em São Paulo. O Grupo Equatorial desembolsou R$ 5,59 bilhões para absorver dois terços de tudo que o estado colocou à venda, ficando com 30% do capital da companhia. O negócio total movimentou R$ 8,38 bilhões.
Com a venda, a fatia do estado de Minas Gerais caiu de 50,03% para 5,03% do capital. Pela legislação que autorizou a venda, o dinheiro arrecadado deve ir para o abatimento da dívida de Minas com o governo federal, no âmbito do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), ou para um fundo estadual de saneamento básico.
A gestora de investimentos Perfin, que já era acionista da Copasa antes da oferta, aproveitou para ampliar sua participação de 15,25% para 20,11%, tornando-se a segunda maior acionista da companhia.