Uma nova fraude está trocando o QR Code do Pix em páginas de pagamento de lojas virtuais brasileiras, desviando o dinheiro do cliente direto para contas de golpistas.
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A descoberta foi feita em 1º de setembro pelo pesquisador de segurança independente conhecido como eremit4, e depois confirmada pela empresa de segurança digital Kaspersky.
O golpe funciona de forma silenciosa: no momento em que o cliente vai pagar, o código Pix original gerado pela própria loja é substituído por um código fraudulento, sem qualquer alteração visível na tela.
O mesmo acontece com o Pix Copia e Cola, o que prejudica principalmente quem finaliza a compra pelo celular.
QR Code do Pix é alterado sem deixar vestígios
Até agora, a Kaspersky identificou 90 sites de comércio eletrônico de pequeno e médio porte infectados no Brasil, todos usando o Magento, plataforma gratuita muito comum entre lojas menores.
O golpe foi apelidado de novo magecart brasileiro, em referência a uma família antiga de ataques usada para roubar dados de cartão de crédito em sites de compras.
A diferença nesse caso é que o vírus infecta o próprio site da loja, e não o computador ou celular de quem compra. Isso aumenta bastante o alcance do problema, já que todos os clientes daquela loja ficam expostos, e não apenas uma vítima isolada.
Como a substituição do código acontece por meio de linhas de programação escondidas dentro do site, não existe nenhum sinal visual que ajude o comprador a perceber a fraude antes de pagar.
Além de desviar pagamentos por Pix, o mesmo vírus é capaz de copiar dados de cartão de crédito quando o cliente escolhe essa forma de pagamento em vez do Pix.
Nesse caso, o lojista ainda recebe o valor da compra normalmente, mas os dados do cartão ficam nas mãos dos criminosos, que podem usá-los futuramente para clonagem e novas fraudes.
Como se proteger na hora de comprar
Antes de confirmar qualquer pagamento por Pix, o recomendado é conferir, dentro do próprio aplicativo do banco, se o nome do recebedor e o CNPJ correspondem à loja onde a compra está sendo feita.
É importante desconfiar de pagamentos direcionados a uma pessoa física desconhecida, embora lojas muito pequenas possam registrar o pagamento no nome do próprio dono do negócio, o que exige atenção redobrada nesses casos.
Para compras feitas com cartão de crédito, o uso de cartões virtuais oferece uma camada extra de proteção, já que os dados gerados valem apenas para aquela transação específica, tornando inútil qualquer cópia feita pelos criminosos.
O que fazer em caso de fraude
Quem perceber que caiu nesse golpe deve acionar o banco o quanto antes e solicitar o Mecanismo Especial de Devolução, o MED. O processo pode ser feito direto pelo aplicativo do banco: basta abrir a área do Pix e escolher a opção de contestar a transação.
O sistema mostra a lista de transferências recentes, e o cliente seleciona a transação em questão e indica o motivo, como golpe, fraude ou Pix feito sem autorização.
Anexar boletim de ocorrência ou capturas de tela ajuda na análise, mas não é obrigatório para abrir a contestação. Depois do registro, o banco gera um protocolo e informa o prazo de resposta, que pode chegar a 11 dias para bloqueio de contas envolvidas e para a decisão sobre o estorno.
O prazo total para pedir o MED é de até 80 dias após a transação, mas quanto mais rápido o aviso, maiores as chances de recuperar o dinheiro antes que ele seja espalhado entre outras contas usadas pelos criminosos.
Lojistas também precisam se proteger
Do lado das lojas virtuais, a recomendação é manter a plataforma Magento sempre atualizada, usar senhas fortes e exclusivas para o painel administrativo do site e fazer monitoramento constante com softwares de segurança, capazes de identificar comportamentos estranhos no código da página.
Como a fraude é praticamente invisível para quem só olha a tela de pagamento, a proteção mais eficaz continua sendo evitar que o site seja invadido em primeiro lugar.