A Prefeitura de Belo Horizonte abriu, nesta quinta-feira (3/9), uma nova licitação para contratar a empresa responsável por concluir o Reservatório Vilarinho II, estrutura voltada à contenção de enchentes na região de Venda Nova.
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As propostas devem ser entregues até o dia 13 de outubro, data em que também serão abertas pela comissão responsável pelo processo.
O Reservatório Vilarinho II integra um sistema de macrodrenagem que reúne os córregos Vilarinho e Nado e o Ribeirão Isidoro, na região Norte da capital mineira.
A estrutura funciona como uma espécie de bacia subterrânea, projetada para acumular o excesso de água durante chuvas intensas e liberá-lo de forma controlada depois que o temporal passa, reduzindo a pressão sobre a rede de drenagem e evitando que o volume de água transborde nas ruas e avenidas da região.
Quando concluído, o reservatório terá capacidade para armazenar aproximadamente 115 milhões de litros de água, incluindo a laje de cobertura da estrutura.
Atualmente, a obra já opera parcialmente, retendo cerca de 60 milhões de litros, o que representa pouco mais da metade da capacidade total prevista em projeto.
Por que a região de Venda Nova precisa dessa obra
A Avenida Vilarinho é um dos pontos mais críticos da cidade quando o assunto é enchente. A região convive há décadas com o transbordamento do córrego que dá nome à avenida, um problema que se agravou ao longo dos anos com a canalização do curso d’água e o aumento da impermeabilização do solo, provocado pela expansão urbana.
Em novembro de 2018, temporais na região chegaram a causar mortes e destruição de imóveis e comércios ao longo da via.
Diante desse histórico, a Prefeitura de Belo Horizonte já executou outras intervenções na bacia dos córregos Vilarinho, Nado e Lareira, incluindo bacias de contenção e obras de urbanização de fundo de vale.
O Reservatório Vilarinho II é considerado uma das etapas mais importantes desse conjunto de ações, junto com um segundo reservatório profundo batizado de Nado I, que segue em obras na mesma região.
Valor do investimento e origem dos recursos
O investimento total previsto para a obra é de R$ 263 milhões, com recursos oriundos de financiamento da Caixa Econômica Federal.
Esse tipo de obra costuma exigir aportes elevados justamente pela complexidade da escavação em áreas urbanas já consolidadas, que envolve grande movimentação de terra, reforço estrutural do solo e cuidados para não comprometer construções e vias no entorno do canteiro.
A nova licitação busca justamente destravar essa etapa final da obra, depois de o cronograma inicial ter sofrido atrasos ligados a dificuldades técnicas durante a escavação do reservatório, um desafio comum em intervenções desse porte, que costumam enfrentar imprevistos geológicos ao longo da execução.
O que muda para os moradores da região
A conclusão do Reservatório Vilarinho II deve reduzir a frequência e a intensidade dos alagamentos na Avenida Vilarinho, uma das mais movimentadas de Venda Nova, concentrando comércio, serviços e grande fluxo de pedestres e veículos.
Para comerciantes e moradores que já perderam mercadorias, veículos e até imóveis em enchentes anteriores, a obra representa uma expectativa concreta de mais segurança durante o período chuvoso.
Além do ganho direto em segurança hídrica, a conclusão da obra deve gerar empregos e movimentar a economia local durante a fase de execução, com contratação de mão de obra e fornecedores para dar sequência aos trabalhos que ainda faltam para a entrega final da estrutura.
Próximos passos do processo
Depois da entrega e abertura das propostas em outubro, a Prefeitura seguirá com a análise técnica e financeira das empresas participantes antes de assinar o contrato de execução.
Só então será possível definir um novo cronograma detalhado de conclusão das obras, que dependerá tanto da complexidade técnica remanescente quanto da capacidade operacional da empresa vencedora do certame.
Enquanto a fase final não é concluída, a estrutura já em funcionamento parcial segue ajudando a amortecer parte do volume de chuva que desce pela bacia dos córregos Vilarinho e Nado, ainda que sem a capacidade máxima projetada.
A expectativa da Prefeitura é que, assim que a nova empresa assumir a obra, o ritmo de execução avance de forma mais estável até a entrega definitiva do reservatório.