A aposentada Maria de Fátima foi uma das primeiras pacientes a ter o joelho operado por um robô autônomo no Brasil. O procedimento aconteceu na Santa Casa de Juiz de Fora, primeiro hospital da América Latina a adotar o equipamento.
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Desenvolvido pela empresa sul-coreana CUREXO, o CUVIS-Joint ocupa uma categoria distinta dos sistemas robóticos já disponíveis no país. Plataformas como o MAKO e o ROSA auxiliam o cirurgião, mas o profissional ainda conduz fisicamente o instrumento de corte. Com o CUVIS-Joint, quem executa as incisões ósseas é o próprio braço mecânico.
Como funciona o robô autônomo para cirurgia de joelho
O processo começa fora da sala de operação. Imagens do joelho geram uma representação digital em três dimensões. Com esse modelo, o cirurgião traça cada detalhe do procedimento, definindo o posicionamento da prótese, as angulações necessárias e os limites de cada corte. Quando o paciente entra no centro cirúrgico, o plano já está fechado.
O robô é sincronizado com a anatomia real e executa o que foi definido. Dados de estudos clínicos com 500 pacientes apontam erro inferior a 1 mm na grande maioria dos cortes realizados. O sistema também detecta qualquer deslocamento do paciente durante a operação e interrompe o movimento antes que o erro aconteça. O cirurgião acompanha cada etapa.
Nos 500 casos avaliados, os pesquisadores não identificaram nenhuma ocorrência de dano a nervos ou vasos sanguíneos.

Segundo os dados clínicos do equipamento, a necessidade de analgésicos no pós-operatório cai porque o robô usa fresa no lugar de serra manual. A troca reduz o trauma no tecido ao redor do osso e, com isso, a resposta inflamatória é menor.
A precisão do corte também influencia a vida útil do implante. Quanto mais o encaixe entre osso e prótese corresponde à anatomia individual, menor o desgaste ao longo dos anos e maior a durabilidade da prótese.
Custo e acesso
O procedimento com o robô autônomo ainda não está disponível no SUS. Para pacientes particulares ou com plano de saúde, o valor fica em torno de R$ 16 mil.
O equipamento chegou à Santa Casa de Juiz de Fora em abril de 2026. Fundada há 172 anos, a instituição realiza cerca de 29 mil cirurgias por ano, com sete em cada dez atendimentos vinculados ao SUS.