O Banco Central divulgou nesta terça-feira, 8 de setembro, que ainda há R$ 5,65 bilhões disponíveis para resgate no Sistema de Valores a Receber.
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Os números consideram os registros feitos até julho e mostram que milhões de brasileiros e empresas ainda não retiraram recursos aos quais têm direito.
O montante representa um crescimento em relação ao mês anterior. Em junho, o saldo disponível estava em R$ 5,12 bilhões, o que indica que mais valores foram identificados pelas instituições financeiras e incluídos no sistema ao longo de julho.
Do total pendente, R$ 4,25 bilhões pertencem a pessoas físicas, somando 23,57 milhões de beneficiários. As empresas respondem por outros R$ 1,40 bilhão, distribuídos entre 2,19 milhões de pessoas jurídicas com valores a receber.
Desde a criação do sistema, em 2022, o Banco Central já identificou R$ 21,80 bilhões em recursos esquecidos em instituições financeiras.
Desse total, R$ 16,15 bilhões já foram devolvidos aos respectivos donos, o que mostra que boa parte do dinheiro identificado até hoje já retornou às mãos de quem tinha direito a ele.
De onde vêm os valores parados
Os bancos concentram a maior fatia dos recursos ainda não resgatados, com cerca de R$ 2,38 bilhões. Em seguida aparecem as administradoras de consórcio, responsáveis por aproximadamente R$ 1,96 bilhão, e as cooperativas financeiras, que somam cerca de R$ 762,7 milhões em valores não reclamados.
O levantamento do Banco Central também contabiliza dinheiro parado em instituições de pagamento, financeiras, corretoras e distribuidoras de valores, o que amplia o universo de empresas que podem estar com recursos pendentes de devolução.
Maioria dos valores é de quantias pequenas
Apesar do total elevado, a maior parte dos registros no Sistema de Valores a Receber corresponde a valores baixos. Quase sete em cada dez cadastros, ou 69,45%, envolvem quantias de até R$ 10.
Outros 18,97% estão na faixa entre R$ 10,01 e R$ 100, enquanto 9,35% correspondem a valores entre R$ 100,01 e R$ 1.000. Apenas 2,22% dos registros ultrapassam a marca de R$ 1.000.
O Banco Central esclarece que uma mesma pessoa pode aparecer mais de uma vez na base de dados, caso possua valores enquadrados em diferentes faixas ou distribuídos entre instituições distintas.
Como consultar o Sistema de Valores a Receber
A consulta inicial pode ser feita de forma totalmente gratuita e sem necessidade de login em conta gov.br. Pessoas físicas precisam informar apenas o CPF e a data de nascimento, enquanto empresas devem digitar o CNPJ e a data de abertura no site oficial do Sistema de Valores a Receber.
Se o sistema apontar valores disponíveis, o próximo passo exige acesso com conta gov.br de nível prata ou ouro, com autenticação em duas etapas ativada.
Depois desse login, o Sistema de Valores a Receber mostra o valor exato disponível, qual instituição financeira é responsável pelo recurso, a origem do dinheiro e as informações de contato para dar continuidade ao processo.
Como fazer o resgate
Quando aparece a opção “Solicitar por aqui”, o próprio sistema permite pedir a devolução diretamente, bastando informar uma chave Pix para receber o valor.
Segundo o Banco Central, esse tipo de solicitação costuma resultar em pagamento em até 12 dias úteis.
Nos casos em que essa opção não está disponível, o sistema indica os canais de contato da instituição responsável pelo valor, e o beneficiário precisa procurar a empresa diretamente para combinar a forma de devolução do dinheiro.
Cuidado com golpes
O Banco Central reforça que todo o processo de consulta e resgate é gratuito, sem cobrança de qualquer taxa. A instituição também alerta que nunca envia links por e-mail, SMS, WhatsApp ou outros aplicativos de mensagens para avisar sobre valores disponíveis ou solicitar dados pessoais.
A recomendação de segurança é acessar exclusivamente o site oficial do Sistema de Valores a Receber e nunca informar dados pessoais, bancários ou senhas a terceiros que se ofereçam para ajudar a liberar o dinheiro esquecido, prática comum entre golpistas que se aproveitam da divulgação desse tipo de informação.