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11 anos depois, Samarco e três gerentes são condenados pela tragédia de Mariana

TRF-6 reverteu absolvição de 2024 e fixou penas de até 8 anos pelo desastre na barragem de Mariana

3 min de leitura
Vista aérea da lama após o rompimento da barragem de Mariana em novembro de 2015
Vista aérea da região de Bento Rodrigues, em Mariana, após o rompimento da barragem de Fundão em 2015 | Foto: Corpo de Bombeiros-MG/Agência Senado/Reprodução

A mineradora Samarco e três ex-gerentes operacionais foram responsabilizados criminalmente pelo rompimento da barragem de Mariana em julgamento realizado nesta quinta-feira (3) pelo Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6). A Segunda Turma reverteu por unanimidade a absolvição decidida em primeira instância em 2024 e fixou penas de prisão para as três pessoas físicas e multa milionária para a empresa. A decisão ainda cabe recurso.

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O caso foi relatado pelo juiz federal Michael Procópio, acompanhado pelos desembargadores Klaus Kuschel e Luciana Pinheiro Costa. O julgamento foi iniciado em março deste ano e retomado nesta semana.

Penas de até 8 anos por crimes ligados à barragem de Mariana

Daviély Silva e Germano Lopes, que chefiavam operações da Samarco à época do desastre, receberam penas de 8 anos e 9 meses de reclusão. O cumprimento começa em regime fechado.

Wagner Alves, também ex-gerente da mineradora, terá 7 anos, 3 meses e 14 dias a cumprir, com início em regime semiaberto.

Os três respondem por poluição qualificada com resultado em morte e inundação com resultado em morte.

À empresa, o tribunal impôs multa de R$ 1 milhão destinada ao Fundo Nacional do Meio Ambiente e suspensão do direito de firmar contratos com órgãos públicos por uma década.

De 22 réus, apenas quatro saíram condenados

A barragem de Fundão ruiu em 5 de novembro de 2015. A lama matou 19 pessoas e deixou um rastro de rejeitos ao longo do Rio Doce.

A denúncia chegou à Justiça em 2016, apresentada pelo Ministério Público Federal, e listava 22 pessoas físicas e quatro empresas como réus. Em novembro de 2024, a Justiça Federal em Ponte Nova absolveu todos os réus que ainda respondiam ao processo por ausência de provas. O MPF recorreu um mês depois.

A decisão desta quinta atende parcialmente ao recurso. O tribunal manteve a absolvição da Vale, BHP e VogBR. Também saíram sem condenação Samuel Loures, executivo da VogBR, e dois dirigentes da própria Samarco, Ricardo Vescovi e Kleber Luiz.

O procurador regional Darlan Airton Dias, do MPF, classificou o resultado como “vitória da justiça” ao G1. Segundo ele, o julgamento “restabeleceu a verdade, responsabilizando penalmente uma empresa e três pessoas físicas por essa tragédia”. Ele ainda avalia se vai recorrer da parcela do pedido que não foi atendida.

Em nota, a Samarco informou que vai examinar a decisão antes de definir os próximos passos. A mineradora sustenta que cumpriu as normas vigentes à época e que não foi alertada sobre qualquer risco de falha estrutural na barragem de Fundão.

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