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Gestão

Medtronic adota modelo de gestão horizontal no Brasil

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Um momento como esse, exige coragem, explica Barreiro | Crédito: Divulgação

Há tempos o conceito de gestão horizontal ganha força no Brasil. Um modelo menos concentrado de tomada de decisão, menos hierarquizado e que tem na escuta ativa uma das suas principais ferramentas, já era visto com bons olhos, mas durante a pandemia tomou novos significados. Distantes pela imposição das medidas de isolamento social – tão importantes para o combate à Covid-19 -, líderes e equipes tiveram que se adaptar. 

Mais difícil ainda para aqueles que assumiram postos de liderança e gestão justamente nesse período, em meio ao caos sanitário e econômico mundial. Esse desafio é enfrentado pelo vice-presidente da Medtronic no Brasil, Felipe Barreiro. A empresa é uma das líderes em tecnologia na saúde, que conta com fábrica em São Sebastião do Paraíso, no Sul de Minas, e em Ribeirão Preto (SP), e faturamento de US$ 30 bilhões. A Medtronic está presente em mais de 150 países e emprega cerca de 100 mil pessoas em todo o mundo. No Brasil são 600 funcionários.

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Aos 42 anos, e no cargo desde setembro do ano passado, ele é mais jovem que a maioria dos diretores que lidera e sente falta de estar presente fisicamente nas unidades produtivas e de negócios espalhadas pelo mundo, especialmente as brasileiras.

“A coragem para assumir essa função no meio de uma crise global vem de um plano, um desejo meu desde a faculdade. Nos últimos seis anos ocupei uma posição regional, para a América Latina, na Medtronic. Sempre soube que precisava me preparar e entendia que eu tinha potencial. Isso é fruto de muita ambição profissional e perseverança. Mas é certo que em um momento como esse, exige coragem”, explica Barreiro.

A Medtronic tem no portfólio equipamentos para cerca de 70 diferentes terapias, mas 2020 exigiu foco na produção de insumos para o combate à Covid-19, especialmente ventiladores pulmonares. Só no Brasil foram entregues mais de 500 desde março do ano passado, sendo 250 apenas entre março e abril deste ano, quando a segunda onda da doença fez com que o sistema de saúde brasileiro entrasse em colapso em várias regiões do País.

“Ser visto com desconfiança quando começamos um trabalho é comum. Meu posicionamento é de transparência. Minha prioridade é cuidar de pessoas, assim cuido da equipe, dos clientes, dos profissionais nos hospitais. A minha interação sempre parte de uma base de falar absolutamente o que penso e dar espaço para as pessoas falarem também, assumindo que estou sempre aprendendo. Agrego valor gerando inspiração, movendo a equipe para a ação”, pontua. 

Para promover a sua integração com as equipes e o engajamento entre elas, o executivo lançou mão de três programas. No plano vertical foi criado o “Jogo Aberto”, que acontece mensalmente. Participam todos os funcionários que fazem as perguntas livremente para a liderança.

No plano horizontal foram implementados o “Conectando nossas áreas” e o “Conectando nossa gente”. No primeiro, quinzenalmente, uma área tem um tempo de duas horas para apresentar-se às demais. E, no segundo, os profissionais são pareados de forma aleatória para se conhecerem e trocar experiências. 

“Já comecei de forma remota, mas procuro equilibrar um modelo híbrido, respeitando todas as normas de segurança sanitária. Estou em Miami (EUA) e volto ao Brasil em breve, aguardando o momento mais seguro para isso. Gosto de estar próximo e sinto falta disso com as equipes e clientes”. 

Negócios 

A Medtronic tem planos ousados para o Brasil nos próximos quatro anos: dobrar a presença no mercado, para isso será preciso crescer 17% ao ano, em média, no período.  Nos próximos 12 meses, serão lançados 13 produtos em diferentes áreas, como grampeadores para cirurgia geral, bomba de infusão, válvulas cardíacas e tecnologias para o controle da dor. 

“No Brasil ainda não alcançamos a presença adequada. Devemos investir e crescer. Vamos também explorar novos modelos de negócios como risco triangulado entre a fonte pagadora, hospitais e nós. Acredito na retomada da economia com o avanço da vacinação e nos preparamos para esse futuro. Meu objetivo final é, além da ambição comercial, criar um sistema mais sustentável na saúde. Oferecendo serviços compatíveis com a necessidade do cliente e não com a nossa vontade. Essa é uma conversa mais estratégica que, ao fim, pode gerar mais e melhores empregos”, completa o vice-presidente da Medtronic no Brasil.

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