Ainda são muitos os desafios de Minas Gerais

Projeto do DC completa um ano

14 de outubro de 2022 às 0h29

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A maior crise hídrica no País foi abordada na primeira reportagem especial do #JuntosPorMinas | Crédito: Divulgação
#juntosporminas

Há um ano o DIÁRIO DO COMÉRCIO se propôs a discutir os principais desafios para o desenvolvimento econômico e social de Minas Gerais, que pudessem ser transformados em oportunidades de crescimento e inclusão social. Possíveis caminhos foram apontados por diversos especialistas ouvidos em mais de 40 reportagens especiais sobre temas estruturantes para o Estado, no projeto #JuntosPorMinas. A conclusão que se tira é que sem a participação efetiva de todos – população, empresas e poder público – nada se concretizará.

Nesta edição especial de um ano do projeto, o DC reafirma o compromisso de continuar acompanhando os temas abordados até aqui e de pautar o debate sobre outros ainda não tratados. 

A seguir, há um balanço desses desafios já debatidos e dos caminhos apontados para resolvê-los. Água, clima, mineração, desenvolvimento regional e local, energia, infraestrutura, mobilidade, comércio e inovação foram frentes discutidas.

Seca

A primeira publicação do #JuntosPorMinas ocorreu em outubro de 2021. O tema escolhido para iniciar a jornada foi água – abordagem esta decisiva para que Minas Gerais retome os caminhos do desenvolvimento sustentado e duradouro. A reportagem tratou sobre a maior crise hídrica que o País enfrentava entre meados de 2020 e 2021, com uma estiagem recorde de 91 anos. 

Na época, especialistas alertaram que o cenário estava muito mais associado à falta de gestão do que à ausência de oferta de água ou de chuvas. E que poderia haver consequências para o setor elétrico. 

Por tamanha importância, a temática seguiu nas páginas do #JuntosPorMinas por mais algumas edições. Sua complexidade fez com que o tema fosse abordado por diferentes ângulos por outras cinco vezes ao longo do último ano. Especialistas e autoridades apontaram para a necessidade de se ampliar políticas públicas de prevenção à seca sobre o uso consciente da água.

Chuva em excesso

Minas sofre com a seca, mas também com as chuvas em excesso. Nesse sentido, o projeto tratou da gestão de riscos por parte dos municípios em épocas chuvosas. É que todos os anos, durante a estação, ocorrem dezenas de desastres, acidentes e enchentes em Minas Gerais, que resultam em perdas de vidas e danos materiais e financeiros.

Tristes cenas de cidades tomadas por enchentes, mortes, deslizamentos de terra, rodovias interditadas, cidadãos perdendo bens materiais que conquistaram ao longo uma vida inteira, infelizmente, têm se tornado comuns no Estado. 

A reportagem “Gestão de riscos precisa focar municípios” trouxe a visão de especialistas que dizem que a solução para contornar o problema passa por transformar cada um dos 853 municípios em cidades resilientes, ou seja, capazes de prevenir, se adaptar e dar respostas imediatas aos desastres, reduzindo os danos. Para isso, é necessário implementar e fortalecer políticas públicas e investir mais nas defesas civis municipais.

Mineração e Minas caminham juntas

Por questões óbvias, o assunto mais tratado pelo projeto #JuntosPorMinas, nos últimos 12 meses, foi mineração. Adequação às práticas ESG, passando pelo esgotamento minerário, reconstrução após as tragédias de Mariana (2015) e Brumadinho (2019), importância do diálogo com as comunidades, legislação e segurança jurídica, barragens e combate ao garimpo ilegal foram algumas questões tratadas.

Mineração e Minas Gerais caminham juntas. Por inúmeras vezes as fontes consultadas repetiram: se um não avançar o outro também não avança; mas é preciso evoluir. Em novembro de 2021, sob o tema: “Retomada com muito aprendizado”, a reportagem abordou os desafios e práticas adotadas nos âmbitos público e privado para fazer essa evolução, de fato, acontecer – como a elaboração de um diagnóstico detalhado do setor pelo governo estadual e a implantação do Plano Estadual de Mineração (PEM), com apoio técnico e estratégico do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).

ESG também foi tema recorrente. No início de novembro de 2021, o então presidente do conselho diretor da entidade, Wilson Nélio Brumer, em entrevista exclusiva ao DIÁRIO DO COMÉRCIO, falou que as práticas responsáveis vieram para ficar.

“As empresas que não se adequarem, absorvendo conceitos, valores e princípios, terão problemas sérios no futuro, inclusive e especialmente, no que se refere à obtenção de financiamentos. Além disso, todas as recomendações do ESG – nos campos do meio ambiente, da governança e da responsabilidade social – contribuem para que as empresas cumpram suas finalidades tanto do ponto de vista econômico, gerando resultados para seus acionistas, quanto no que se refere ao relacionamento com as comunidades de suas áreas de atuação, com as pessoas, com seus empregados, clientes e fornecedores”, disse à época.

Alguns meses depois, em junho deste ano, o projeto voltou a abordar o assunto e concluiu que as práticas avançaram no setor, mas que ainda existem desafios. Conforme as fontes, o rompimento das barragens no Estado despertou a consciência das mineradoras para as práticas ESG, que não se limitam à segurança das operações e das comunidades ao seu redor. De igual modo, contribuíram para a mudança de postura as conferências internacionais, que vêm dando o tom do debate ambiental neste início de século XXI. 

Mas alertam que para além de eliminar barragens a montante, como impuseram as legislações federal e mineira, o setor precisava tomar outras atitudes para reaver a confiança da sociedade e assegurar investimentos. Medidas como reduzir emissões de carbono, fazer a gestão de resíduos, ser mais transparente com a sociedade e proporcionar desenvolvimento socioeconômico às comunidades passaram a estar na ordem do dia para as empresas.

Pautas do desenvolvimento

O desenvolvimento socioeconômico do Estado também esteve na pauta. O especial de 18 de abril tratou sobre a importância do empreendedorismo. Diante da constatação de que os jovens mineiros estão mais estudados, mas enfrentam desafios no mercado, especialistas indicam que as políticas públicas devem ser direcionadas também ao empreendedorismo. 

Isso quer dizer que é preciso investir não somente em educação, mas também na condução dos setores econômicos e orientação do jovem para a geração de renda.

“Não foi desenvolvida uma política industrial capaz ativar o setor produtivo a ponto de absorver todos os jovens qualificados disponíveis. Isso pode explicar também uma queda na contratação por carteira assinada e um aumento da livre iniciativa, especialmente aquela por conta própria. É o jovem criando um espaço no mercado de trabalho para si. O que é ótimo, ativa as possibilidades de empreendedorismo”, opinou o economista e pesquisador do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) da UFMG, Mário Rodarte.

Desglobalização

Sob um ponto de vista mais amplo do desenvolvimento, o #JuntosPorMinas também abordou o fenômeno da desglobalização. Para as fontes consultadas, Brasil e Minas Gerais têm mais a ganhar do que perder com este novo movimento econômico. A atração de investimentos poderá ser o grande efeito positivo deste ciclo, porém, será justamente o quesito competitividade que vai determinar como isso deve acontecer.

Governos estão atentos às fragilidades, mas, principalmente, às oportunidades de maneira a manter o protagonismo diante de algumas cadeias e processos, a ganhar espaço em mercados em ascensão e, ao mesmo tempo, se blindarem de quaisquer aspectos negativos. Mas a palavra final é mesmo do setor privado, que detém os recursos e caminha para onde está o capital.

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