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MG precisa reter profissionais de tecnologia

Embora seja polo de formação, Estado perde mão de obra para outras regiões e países, pois escassez é problema mundial

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Fábio Veras destacou a parceria do Sindinfor e do Senai para a formação de profissionais | Crédito: Sindinfor/Divulgação

Não há dúvida de que a pandemia acelerou ainda mais a inovação tecnológica no mundo. As pessoas tiveram que se virar nas diversas atividades sem sair de casa, e as empresas precisaram se aprimorar para atender a essa demanda. E se antes já faltava pessoal qualificado para trabalhar no setor, depois da Covid-19 esse déficit ficou ainda mais acentuado. Considerando apenas os profissionais das tecnologias digitais, da informação e da comunicação – os mais demandados hoje pelo setor de inovação tecnológica – estima-se que o Brasil precisará, entre os anos de 2021 e 2025, de mais 797 mil profissionais. O problema é que a formação desse pessoal, hoje, não acompanha a necessidade do mercado.

Em Minas Gerais, a situação não é diferente. Embora seja o Estado com o maior número de universidades federais do País e muitos polos formadores, há carência de mão de obra na área. Segundo especialistas, o desafio por aqui é duplo. Além de conseguir formar um número ainda maior de profissionais em inovação, Minas tem o desafio de reter esse pessoal trabalhando no Estado.

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É que muitos acabam buscando oportunidades fora, movimento que acontece devido à falta de apoio da iniciativa privada na validação de inovações criadas no Estado, uma vez que uma considerável parcela do empresariado mineiro não “compra” o risco da inovação criada no “quintal de casa” e, muitas vezes, prefere importar tecnologia. Outro motivo para o êxodo, segundo representantes de profissionais da área, é a oferta de salários mais altos fora de Minas.

O próprio setor privado tem se articulado nos últimos anos em diversas frentes, como a formação de hubs de inovação e no desenvolvimento de novos polos educacionais para favorecer a formação profissional e o consumo local da inovação gerada no Estado. Políticas públicas da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede) também têm contribuído nesse sentido.

Mas o caminho para se resolver definitivamente a questão, segundo fontes consultadas pela reportagem, passa por uma grande política pública nacional, de longa duração, articulada entre o setor público e o setor privado. Já no curto prazo, uma solução paralela seria uma adaptação de grades curriculares de diversas áreas afins com o setor de inovação.

Nesse contexto, a falta de profissionais qualificados em inovação tecnológica é assunto desta semana do #JuntosPorMinas, projeto do DIÁRIO DO COMÉRCIO que aborda desafios e gargalos do Estado que podem ser transformados em oportunidades de crescimento econômico e inclusão. Esta é a terceira de uma série de quatro reportagens sobre os desafios da inovação tecnológica no Estado. Na primeira semana, o projeto tratou, de forma geral, dos principais desafios da inovação em Minas. Na segunda, o #JuntosPorMinas trouxe uma entrevista exclusiva com o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico  (CNPq), Evaldo Vilela, sobre o assunto. Confira a seguir a terceira reportagem que aborda mão de obra no setor.

Oferta supre apenas um terço da demanda

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A tecnologia, cada vez mais, faz parte do cotidiano de empresas e pessoas. Dessa forma, a necessidade de profissionais qualificados na área é muito maior que a oferta. Estudo da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom) mostra que, até 2025, o Brasil precisará, em média, de 159 mil novos profissionais entrando no mercado de trabalho a cada ano. No entanto, o País forma em torno de 53 mil pessoas nessas áreas, o que supre, hoje, somente um terço da demanda.

E como Minas Gerais tem um importante sistema de inovação no cenário nacional, o Estado vivencia o problema da escassez de mão de obra, embora seja o que tem o maior número de polos formadores do País. A falta de profissionais de inovação tecnológica em Minas é confirmada pelo Sindicato da Indústria de Software e da Tecnologia da Informação do Estado de Minas Gerais (Sindinfor).

“Todos os segmentos passaram a demandar profissionais para o desenvolvimento de software. Grandes Indústrias, grandes empresas do varejo passaram a ser também empresas de tecnologia. Se antes essas empresas tinham uma área de suporte e manutenção robusta, agora elas também contam com área de desenvolvimento. A ciência de dados, o desenvolvimento de plataformas, a gestão tecnológica passa a ser essência de todos os negócios, e isso gerou uma explosão de demanda por profissionais especializados e esse é um fenômeno nacional e global”, informou o presidente do Sindinfor, Fábio Veras de Souza, que também preside o Conselho de Tecnologia e Inovação da Fiemg.

Segundo ele, hoje, os únicos países do mundo que não têm déficit de profissionais nessa área são Índia e China, que têm um desenvolvimento tecnológico acentuado. “A emigração de jovens talentos para outros Estados e até outros países é um fenômeno antigo. Vale a regra de oferta e demanda. Minas oferece salários competitivos mas, em escala, o número de oferta fora do Estado é naturalmente maior”, explicou Souza, que também é empresário e PhD na área.

Na busca por formar pessoal em Minas, o Sindinfor liderou o projeto inédito de Força de Trabalho 4.0 para o segmento de TI, com mais de 60 empresas de todos os portes. O objetivo foi rever e atualizar a formação em TI do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). “Conseguimos a criação pioneira do primeiro Centro de Formação Tecnológica em Tecnologia da Informação do Sistema Fiemg, fruto de uma parceria técnica e institucional, para ampliar a oferta de formação. Mas a demanda ainda é maior do que a oferta”, completou.

Caça-talentos

Além de formar e qualificar mais profissionais, é preciso fazer mais para retê-los em território mineiro, indicou a diretora-coordenadora do Sindicato dos Empregados de TI de Minas Gerais (Sindados-MG), Rosane Maria Cordeiro. “A realidade vem mostrando empresas de outros estados e até do exterior numa verdadeira caça a profissionais de Minas Gerais, oferecendo remunerações maiores”, disse.

Segundo ela, com a ampliação do home office, que já era de certa forma avançado na área de TI, a evasão de profissionais mineiros foi maior ainda, uma vez que as empresas de outros estados ou países não precisaram mais arcar com custos financeiros de mudanças físicas de endereço.

“A fuga se dá primeiro por melhor oferta de remuneração, o que para o profissional é valorização da sua capacidade e, depois, pela busca de oportunidade de conhecimento e experiências profissionais em empresas de renome, embora Minas seja celeiro de pesquisas e inovações tecnológicas, como por exemplo as startups, que são muito fomentadas no Estado, além de ser berço de várias empresas de destaque nacional e internacional”, afirmou.

Rosane Cordeiro destacou que os salários não são compatíveis como em outros polos nacionais (Recife, Campinas, Santa Catarina, Paraná e a cidade de SP). “Chegamos a ter empresas com filiais em Minas pagando menos que em outras filiais pelo País. A consequência é a evasão de mão de obra” .

A diretora do Sindados acrescentou que a alta rotatividade na área de TI tem se acentuado. “Até profissionais concursados em empresas e órgãos públicos vêm pedindo demissão, devido ao assédio de empresas privadas sinalizando ganhos maiores e à falta de um Plano de Cargos e Salários destes profissionais”.

Soluções no curto e longo prazos

A solução para o déficit de mão de obra vivenciado pelo Brasil na área de inovação tecnológica passa por uma grande política pública nacional, de longa duração, articulada entre os setores públicos e privados, segundo o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, Evaldo Vilela.

“A solução é uma forte parceria público-privada, articulada pelos governos, em nível federal e dos estados, capaz de encaminhar soluções de curto e longo prazos, duradouras no campo da educação tecnológica, com foco na profissionalização e na empregabilidade. Mas não pode ser apenas mais uma ação, tem que ser ‘a ação’, criando oportunidade para os jovens brasileiros e para a indústria inovadora”, afirmou.

Estratégia ∑Tcem

Abrir o mercado para profissionais de áreas correlatas pode ser um caminho para driblar o problema da falta de mão de obra no curto prazo. Essa é a aposta da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom), que tem levado a proposta aos diversos envolvidos com inovação no País.

É a chamada estratégia ∑Tcem, que aposta na afinidade de grades curriculares de cursos como tecnologia, ciências, engenharia e matemática para a formação de profissionais capacitados para inovação. Afinidade é a característica das grades curriculares ofertadas que têm superposição com tecnologia. Dessa forma, a inoculação consiste na oferta de disciplinas que capacitem os alunos nas tecnologias em alta demanda pelo setor de inovação.

Conforme a Brasscom, essa estratégia potencializaria a oferta de 237 mil formandos em Tcem. “A oferta atual de 53 mil formandos em TIC (tecnologias da informação, digitais e de comunicações) não supre a demanda estimada de 159 mil talentos por ano. A forte demanda de talentos justifica a necessidade do desenvolvimento de uma estratégia capaz de potencializar a oferta de talentos”, justificou a entidade em estudo sobre o assunto.

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