Minas a caminho de efetivar atração recorde

Recorde na atração de investimentos põe o Estado na vanguarda em geração de empregos

23 de abril de 2022 às 0h29

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Com planta em Ouro Preto, a Hindalco, do grupo indiano Aditya Birla, foi comprada pela Terrabel, com sede em Contagem | Crédito: Divulgação

O governo de Minas tem divulgado a atração, desde 2019, de R$ 211 bilhões em investimentos para o Estado e 340 empresas. Os indicadores, porém, não representam o total já efetivado. Boa parte, na verdade, são valores e instalações em potencial, advindos de formalizações de intenções de investimentos, o que ainda não é um investimento garantido.

Na prática, a efetivação da atração demanda tempo. Até hoje, cerca de 31% do valor total atraído, R$ 65,1 bilhões, realmente saíram do papel e foram destinados às etapas de implantação e operação. Das 340 empresas, menos da metade, 139 estão em operação, gerando cerca de 35,9 mil empregos diretos. Essas vagas representam 31,5% dos 114 mil postos de trabalho previstos se todos os empreendimentos se concretizarem.

Especialistas explicam que é natural a demora. Por isso, os valores prospectados devem sempre estar vinculados a um prazo de implantação, o que não foi feito. Outro ponto é que mais da metade das empresas e recursos captados ainda estão no estágio de decisão formalizada. Nessa fase, o negócio ainda não está garantido. 

E, por fim, a maior atração para uma empresa permanecer no Estado é a confiança. Isso se dá quando é feita uma política de desenvolvimento de Estado, que seja mantida independente de quem governe, e  que seja regida por leis claras e sólidas, apontam os especialistas

De acordo com o Invest Minas, a simplificação de normas, celeridade dos processos, prospecção ativa, parceria com as prefeituras para alinhar a capacidade dos municípios em atrair investimentos e o apoio do setor privado têm sido ações fundamentais para a criação de um ambiente atrativo.

Nesse contexto, investimentos em Minas Gerais é tema do #JuntosPorMinas, projeto do DIÁRIO DO COMÉRCIO que aborda desafios e gargalos do Estado que possam ser transformados em oportunidades de crescimento econômico e inclusão. Confira a seguir.

Analisando cenários e experiências

O Centro de Distribuição da Amazon em Minas Gerais, localizado em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte,  foi implantado em 2020. A iniciativa abriu 240 vagas e, ao todo, cerca de 370 já foram criadas. A empresa é uma das 139 atraídas pelo Invest Minas. O líder do Centro de Distribuição em Betim, Bruno Varela, destaca que a posição do Estado é estratégica. O objetivo é sempre ter um estoque mais perto do consumidor final.

“A Amazon mantém um diálogo legítimo e permanente com o governo para informar sobre nossas operações e discutir o ambiente de negócios local. Esse diálogo foi de alta relevância para nossa instalação e continua sendo importante na medida em que ampliamos nossa presença. O CD será duplicado ainda no 1º semestre de 2022”, avaliou.

A Hindalco, em Ouro Preto, na região Central de Minas, do grupo indiano Aditya Birla, encerraria as atividades. Porém, foi comprada pela Terrabel, com sede em Contagem. A mineradora de bauxita e a fábrica de alumina, responsáveis pela exportação de mais de 50% da produção da empresa, são as maiores empregadoras da cidade, propiciando a criação de 400 empregos diretos e outros 200 indiretos.

“Além de atrair novos investimentos e ajudar os negócios mineiros a crescerem, o governo investe na continuidade de players importantes no Estado. Trazer a Amazon, ou mediar a venda da Hindalco, são ações diferentes para a mesma finalidade. Recompor o ambiente de negócios, tornando Minas ainda mais atraente para empresas de todos os portes”, explicou o diretor-presidente da Invest Minas, João Paulo Braga.

Para Marco Aurélio Crocco, economista e professor da UFMG, os números apresentados pelo Invest Minas realmente demonstram o esforço do Estado em atrair empresas. Porém, o especialista destaca que é preciso observar cuidadosamente o cenário.

“Formalizar a decisão de ter empresa no Estado é um passo importante. Mas não garante o negócio. Não é um protocolo vinculante. Economicamente, a captação acontece quando a construção começa. Então, hoje são cerca de R$ 65 bilhões o ambiente de atração criado. Valor expressivo, longe do ideal. No cenário macroeconômico, temos pandemia, desemprego e desaquecimento em setores importantes no Brasil e no mundo. Não podemos esperar um resultado estadual totalmente diferente”, pontuou.

Amazon inaugurou CD em Betim, na região metropolitana | Foto: Heudes Regis

Na avaliação do secretário de Desenvolvimento Econômico, Fernando Passalio, mesmo nos contextos mais desafiadores, a atual gestão esteve atenta. “Criamos um ambiente de negócios amigável. Na crise, para socorrer as empresas mineiras na pandemia de Covid-19, pelas severas chuvas e nos desafios do dia a dia. Hoje, o Estado lidera o ranking nacional de negócios dispensados de alvarás, com 701 atividades de baixo risco contempladas. Outros 561 normativos foram revogados pelo Estado. As ações estão previstas no programa Minas Livre para Crescer (MLPC), que busca leis mais amigáveis para empreendedores”, reforça.

O secretário destaca ainda que foi possível investir em polos, diversificar e regionalizar a captação. A energia solar fotovoltaica, por exemplo, concentrada nas regiões Norte, Central e Alto Paranaíba. Já o setor logístico e o e-commerce, no Sul de Minas. 

Para Eduardo Menicucci, economista, especialista em análise de cenários econômicos e professor da Fundação Dom Cabral, FDC/MG, a proatividade do Estado é fundamental.

“É extremamente válida toda essa mobilização do governo e é natural um delay entre a intenção e a implantação do negócio. Porém, será interessante o governo definir prazos para mensurar quando este número de R$ 211 bilhões se concretizará. O fundamental é criar mecanismos para que estes investimentos não apenas se estabeleçam, mas que cadeias produtivas de entorno possam se organizar e crescer junto”, comenta.

Ainda há desafios

Os empreendimentos exigem estrutura, energia e todo um arcabouço de suporte que precisa estar azeitado para manter-se por décadas, pois o porte dos investimentos é alto.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Fernando Passalio, reforça que o Estado trabalha para tornar o ambiente cada vez mais estruturado para receber novas empresas. “Todas nossas ações convergem para a consolidação de um ambiente de negócios com segurança jurídica e desburocratizado, favorável para que empresas aqui instaladas se sintam seguras não apenas em manter as atividades, mas também ampliá-las”, comenta.

Para João Paulo Braga, diretor-presidente do Invest Minas, o Estado está no caminho certo, mas ainda há outros desafios para que o Estado siga atraindo empresas. “Ainda precisamos melhorar a infraestrutura de Minas Gerais. Melhorar as estradas, rodovias, expandir ferrovias, ampliar as conexões aéreas. Energia de qualidade e baixo custo para que as empresas cresçam. A mão de obra precisa estar qualificada e a reforma tributária precisa acontecer. Estes ainda são desafios que, por vezes, entravam o desenvolvimento”.

O economista Eduardo Menicucci destacou que é necessário mais que atuação de governo. “Os benefícios de concessão devem ser política de Estado para que governo e empresas possam planejar o futuro com segurança, para além do cenário político. Isso mantém a confiança do mercado”.

Para Marco Aurélio Crocco, economista e professor da UFMG, há muito potencial ainda a ser desenvolvido. “Temos muito a desenvolver em Minas Gerais, Estado com capacidade ímpar de atração de empresas e negócios de inúmeros setores e isso deve ser feito sempre”.

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