A melhora no emprego e a liberação de recursos do FGTS impulsionaram o crescimento da aprovação de Bolsonaro - Crédito: REUTERS/Adriano Machado

Brasília- A avaliação positiva do governo do presidente Jair Bolsonaro subiu para 34,5% em janeiro, ante 29,4% em agosto do ano passado, mostrou pesquisa CNT/MDA divulgada ontem, beneficiada pela melhora no emprego e medidas como a liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

“Nós entendemos que a aprovação da reforma da Previdência impacta positivamente, pois traz um ânimo maior à economia e alguma coisa já está começando a movimentar. Tanto é que, em 2019, houve geração de quase 1 milhão de novos empregos formais”, disse o presidente da CNT, Vander Costa.

Ele argumentou que mesmo empregos informais têm impacto positivo na avaliação das pessoas. “Não deixa de ser um emprego, uma forma que a pessoa está tendo renda e trazendo para casa”, disse. “Como isso foi mais forte no segundo semestre, justifica o fato de a percepção estar mudando no segundo semestre”, explicou.

Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), no acumulado de 2019 até novembro houve a criação líquida de 948.344 vagas de emprego. Ainda assim, o número de desempregados no país era de 11,9 milhões no final de novembro, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento mostrou também que a avaliação negativa caiu para 31%, em comparação com 39,5% em agosto de 2019. A avaliação regular foi a 32,1%, ante 29,1%. A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais.

“Talvez o fato de ter pago o 13º do Bolsa Família fez com que aquelas famílias que recebam o benefício tenham dado uma perspectiva melhor, bem como a liberação do FGTS», lembrou Costa.

Com relação à expectativa para os próximos seis meses, 43,2% dos entrevistados acreditam que a situação do emprego irá melhorar, enquanto 18,9% apostam em piora. Em relação aos ganhos mensais, 34,3% preveem melhora, 51,8% dos entrevistados acreditam que os rendimentos ficarão iguais e apenas 11,0% esperam queda.

Economia – Para Lucas de Aragão, da Arko Advice, apesar do governo se envolver em questões controvérsias, a população em geral está mais interessado nos resultados econômicos concretos. “Hoje, o cidadão brasileiro está muito mais preocupado com segurança pública, inflação, emprego e os resultados da economia real do que com questões como o nazismo ou alguém do governo mencionando o AI-5”, disse.

“Isso é uma prova de que o brasileiro médio não está preocupado com essas controvérsias e vê um governo de sucesso como um governo que pode fornecer condições econômicas estáveis e adequadas”, acrescentou o analista.

Dentre as áreas apontadas como de melhor desempenho do governo nesse primeiro ano de gestão, estão o combate à corrupção (30,1%), economia (22,1%) e segurança (22,0%). Os participantes podiam escolher até duas áreas.

Já a saúde, em compensação, é a área avaliada com o pior desempenho do governo durante o primeiro ano, sendo citada por 36,1% dos entrevistados. Em seguida vêm educação (22,9%) e o meio ambiente (18,5%). Os entrevistados também podiam escolher duas áreas.

A pesquisa também levantou a intenção de voto espontânea para presidente em 2022 e mostrou Bolsonaro à frente com 29,1%, seguido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (17,0%), que hoje está impedido de ser candidato, Ciro Gomes (3,5%) e o ministro da Justiça, Sergio Moro (2,4%), entre outros.

A pesquisa do instituto MDA, para a Confederação Nacional do Transporte (CNT), ouviu 2.002 pessoas entre os dias 15 e 18 de janeiro, em 137 municípios de 25 unidades da Federação. (Reuters)