Você acha que as inteligências artificiais são “neutras” quando o assunto é política? Ao contrário do que muita gente imagina, a resposta é não. Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) avaliaram o posicionamento ideológico de 21 modelos de linguagem de IA, como o ChatGPT, o Grok, o Gemini, entre outros. O que eles descobriram é que, assim que eles eram informados do posicionamento político do usuário, esses sistemas passavam a reproduzir a opinião política dele.
De acordo com a Agência Fapesp, ao responderem sobre assuntos como segurança pública, economia e meio ambiente, os modelos tendem a adotar enquadramentos alinhados ao posicionamento político do usuário. Na visão dos pesquisadores, esse comportamento das IAs pode aprofundar o cenário de polarização política do país.
Os pesquisadores avaliarem 21 sistemas em três condições: sem informações sobre o posicionamento do usuário, um mais alinhado à esquerda e outro à direita. Todos os sistemas, em algum grau, adequaram suas respostas ao posicionamento do usuário, mas alguns mudaram mais do que outros. A partir dessa variação, os cientistas criaram o “índice camaleão”.
Quais IAs mudaram mais para se adaptar ao usuário?
Os sistemas que pontuaram mais alto no índice foram o Gemma 3 27B, da Google, e o GPT-5 nano, da OpenAI, tendo sido os que mais mudaram suas respostas para se adequar ao posicionamento do usuário. Por outro lado, o Meta Llama 3.1 8B, da Meta AI, teve a menor pontuação no índice camaleão.
É importante destacar que as IAs não estão mentindo para seus usuários. As respostas são enviesadas porque omitem fatos e opiniões que poderiam divergir do que o usuário pensa. “É um efeito semelhante ao que a gente percebe em redes sociais. Se você está no Facebook ou no Instagram, você só vê mensagens que concordam com você. Quando curte uma postagem de alguém, o algoritmo começa a te mostrar mais daquilo”, explica Zanoni Dias, professor titular do Instituto de Computação (IC-Unicamp), à Agência Fapesp.











