A empresária Luana Lopes Lara, considerada a segunda mulher mais rica do Brasil, quer expandir para o mercado brasileiro a Kalshi, empresa de mercados preditivos que permite aos usuários negociar contratos relacionados a acontecimentos futuros. Avaliada em US$ 22 bilhões, segundo a Forbes, a companhia criada nos Estados Unidos pretende avançar sobre um segmento que ainda enfrenta restrições regulatórias no Brasil.
Lara, que tem formação como bailarina pelo Bolshoi, acumulou uma fortuna estimada em R$ 13,4 bilhões com a empresa fundada em parceria com Tarek Mansour. Os dois se conheceram durante os estudos no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e criaram a Kalshi em 2018.
A intenção de levar a plataforma ao Brasil, porém, esbarra na legislação nacional. O formato de mercados de previsão oferecido pela companhia não possui autorização para operar no país, especialmente quando envolve contratos relacionados a eventos esportivos.

Os mercados preditivos são estruturados de forma semelhante a uma bolsa de negociação. Em vez de simplesmente apostar contra uma casa, os usuários compram e vendem contratos associados à possibilidade de determinado acontecimento ocorrer.
As previsões podem envolver eleições, decisões de bancos centrais, acontecimentos da cultura pop, ciência e esportes. O usuário pode adquirir um contrato relacionado a um determinado resultado e negociá-lo posteriormente, antes da definição do evento.
O valor funciona como uma indicação da probabilidade atribuída ao resultado. Um contrato negociado a US$ 0,80, por exemplo, representa uma avaliação de 80% de chance de determinado evento acontecer. Caso o cenário se concretizasse, o contrato poderia chegar a US$ 1.
Outra característica é que o usuário não necessariamente precisa esperar o resultado final. Como os contratos podem ser negociados, ele pode vendê-los antes do encerramento do evento, dependendo das condições do mercado.
Nas casas de apostas tradicionais, por outro lado, a própria empresa estabelece as regras, recebe as apostas e define os pagamentos conforme o resultado. Nos mercados preditivos, os participantes negociam contratos entre si, que são tratados como derivativos financeiros vinculados a acontecimentos futuros.
Empresa passou anos buscando autorização nos Estados Unidos
A Kalshi começou suas atividades em 2018 e passou os primeiros anos tentando obter autorização para operar nos Estados Unidos. Em 2020, recebeu aval da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) para atuar como bolsa de contratos de eventos.
Com isso, tornou-se a primeira empresa autorizada no país a operar nesse segmento sob esse modelo regulatório. A classificação como bolsa de derivativos de eventos é justamente um dos principais argumentos utilizados pela companhia para se diferenciar das plataformas de apostas convencionais.
A concorrência mais conhecida é a Polymarket, que também atua no mercado de previsões, mas utiliza uma estrutura diferente. Na plataforma, as negociações são registradas diretamente na blockchain Polygon, o que permite visualizar publicamente informações das operações realizadas individualmente pelos usuários.
Na Kalshi, a estrutura é baseada no ambiente regulado pela autoridade americana, enquanto a discussão sobre a natureza dessas plataformas continua envolvendo setores do mercado e reguladores.
Modelo ainda enfrenta barreiras no Brasil
A expansão para o Brasil acontece em um cenário no qual o acesso a plataformas de mercados preditivos ainda não é permitido da mesma forma que nos Estados Unidos.
Mesmo com as restrições, usuários brasileiros conseguem encontrar maneiras de acessar esses serviços. Entre os mecanismos utilizados estão ferramentas como VPNs, que podem mascarar a localização do usuário, além de sistemas de pagamento baseados em criptomoedas.
O uso de moedas digitais cria uma diferença importante em relação às casas de apostas ilegais que utilizam meios de pagamento tradicionais. O governo brasileiro vem ampliando a fiscalização sobre movimentações financeiras relacionadas a bets, especialmente operações realizadas por meio do Pix.
No entendimento da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), plataformas que ofereçam apostas sobre eventos esportivos no Brasil precisam atender às exigências aplicáveis às empresas autorizadas a atuar no setor.
Sem uma regulamentação específica que permita esse modelo, o acesso e a operação dessas plataformas podem ser alvo de bloqueios no território nacional.
Luana quer levar a Kalshi para um novo mercado
A possível chegada da Kalshi ao Brasil colocaria a empresa de Luana Lopes Lara diante de um dos maiores mercados de apostas do mundo, mas também de um ambiente regulatório que estabelece diferenças entre apostas esportivas, jogos e outras modalidades de negociação.
A companhia, que nasceu da parceria entre Lara e Mansour no MIT e alcançou uma avaliação de US$ 22 bilhões, tenta sustentar uma proposta diferente da lógica tradicional das bets: em vez de apenas receber um palpite e pagar um prêmio fixo, a plataforma permite a negociação de contratos cujo valor oscila de acordo com as expectativas dos participantes.











