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Homem não perde tempo, muda de gênero e vai se aposentar antes

Por Pedro Silvini
10/09/2025
Em Geral
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Fila de Aposentados Aposentadoria

(Reprodução/Marcelo Carnaval/Agência Brasil)

Em 2018, a Argentina viu explodir uma polêmica: um funcionário público de Salta, então com 59 anos, alterou legalmente seu gênero para feminino pouco antes de completar 60 anos — idade mínima de aposentadoria para mulheres no país. Agora, com 66 anos, Sergia Lazarovich continua a negar que a decisão tenha sido motivada por questões previdenciárias, embora seus colegas e familiares afirmem o contrário.

Na Argentina, homens podem se aposentar apenas aos 65 anos, enquanto mulheres têm direito ao benefício cinco anos antes. Lazarovich, que sempre viveu publicamente como homem cisgênero, mudou o documento pouco antes de alcançar a idade mínima das mulheres. O gesto levantou suspeitas de que teria se valido da Lei de Identidade de Gênero, de 2012, não por convicção, mas como estratégia para deixar o mercado de trabalho mais cedo.

“Me cambié de género porque tengo una convicción”, declarou na época ao jornal El Tribuno. Em outra entrevista, porém, afirmou: “Isto não seria um problema se todos se aposentassem aos 65 anos”, frase que reforçou as críticas sobre uma possível motivação previdenciária.

Documento de Sergio/Sergia Lazarovich

Debate sobre gênero e aposentadoria

Colegas de trabalho relataram que Lazarovich nunca havia expressado dúvidas sobre sua identidade antes da mudança, mantinha relacionamentos com mulheres e já foi casado, com filhos. Familiares também apontaram que ele teria planejado a alteração como forma de driblar a desigualdade entre homens e mulheres no sistema de aposentadoria.

Juristas e ativistas, por outro lado, alertam que o caso não deve ser usado para enfraquecer a Lei de Identidade de Gênero, considerada uma das mais avançadas do mundo por garantir direitos sem exigir cirurgias ou tratamentos médicos. “A lei protege pessoas trans. Se alguém a utiliza de forma oportunista, o problema é ético, não jurídico”, defendeu um especialista ouvido na época.

Próximos passos

Atualmente com 66 anos, Sergia Lazarovich já poderia estar aposentada, mas ainda enfrenta questionamentos sobre seu processo e sobre a possibilidade de o caso chegar aos tribunais. Enquanto isso, o episódio segue como exemplo de como desigualdades no sistema previdenciário podem abrir espaço para situações controversas.

Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista em formação pela Universidade de Taubaté (UNITAU), colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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