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Novo exército chinês não é composto por humanos e está causando pânico global

Por Pedro Silvini
28/01/2026
Em Geral
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politico china chinês

(Reprodução/Picryl)

A China está colocando em campo um “exército” que não veste uniforme nem carrega armas — mas já provoca apreensão em governos, indústrias e mercados globais. Trata-se de uma frota gigantesca de carros elétricos e híbridos, produzidos em escala sem precedentes em território chinês, que vem alterando profundamente o consumo de energia, enfraquecendo a demanda por petróleo e redesenhando a geopolítica do setor automotivo e energético.

O avanço acelerado da eletrificação no transporte chinês já é apontado por especialistas como um divisor de águas. Dados recentes da Agência Internacional de Energia (IEA) indicam que o crescimento da demanda chinesa por combustíveis fósseis estagnou e começou a cair, algo considerado inédito até poucos anos atrás.

Historicamente, o crescimento econômico da China esteve diretamente ligado ao aumento do consumo de petróleo: mais carros a combustão, mais voos, mais obras de infraestrutura. Esse padrão, porém, começou a se romper.

Em 2024, o consumo total de petróleo bruto da China caiu 1,2%, enquanto o uso de combustíveis como gasolina, diesel e querosene de aviação ficou 2,5% abaixo dos níveis de 2021, segundo a IEA. O principal motivo é a explosão das vendas de veículos eletrificados, impulsionadas por subsídios, política industrial agressiva e preços extremamente competitivos.

Esse “exército de carros” não apenas substitui veículos a combustão dentro da China, como começa a invadir mercados internacionais, gerando tensão em países que veem suas montadoras ameaçadas pela concorrência chinesa.

Petróleo perde espaço na maior economia emergente

A mudança estrutural preocupa o mercado global de energia. A China é responsável por cerca de 73% de dependência de petróleo importado, mas mesmo assim reduziu suas importações em 2024, segundo a Agência de Energia dos EUA (EIA).

A IEA projeta que o uso de combustíveis fósseis para transporte continuará caindo nos próximos anos. A gigante estatal Sinopec já declarou que o consumo de diesel e gasolina atingiu o pico histórico no país. A orientação do governo agora é clara: reduzir o refino de combustíveis e focar na indústria petroquímica, como plásticos e fibras.

Analistas avaliam que a China pode atingir o pico total de demanda por petróleo já em 2025, enquanto o consumo de combustíveis fósseis em geral deve começar a cair antes de 2030.

Efeito dominó chinês no mundo

O impacto vai além das fronteiras chinesas. Países exportadores de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) observam com preocupação. Segundo a BloombergNEF, as importações chinesas de GNL devem cair em 2025 pela primeira vez desde 2022.

Essa retração altera o equilíbrio do mercado global, reduz a previsibilidade de demanda e força exportadores a buscar novos compradores — principalmente no Sudeste Asiático. Ao mesmo tempo, a estratégia chinesa inspira outros países emergentes a acelerar investimentos em energia solar, eólica e eletrificação do transporte.

Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista em formação pela Universidade de Taubaté (UNITAU), colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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