O governo brasileiro acompanha com cautela a escalada do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel e defende a solução diplomática como único caminho viável para evitar uma crise internacional ainda maior. A posição foi reforçada nesta segunda-feira (2) pelo embaixador Celso Amorim, assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em entrevista à GloboNews, Amorim afirmou que o Brasil deve “se preparar para o pior” diante do agravamento da guerra no Oriente Médio. “Ninguém é juiz do mundo. Matar um líder de um país, que está em exercício, é condenável e inaceitável. Devemos nos preparar para o pior”, declarou.
O entorno do presidente Lula avalia que o uso da força amplia a instabilidade global e cria um ambiente “altamente inflamável”. Integrantes do governo lembram que intervenções militares anteriores lideradas pelos Estados Unidos — como no Iraque, Afeganistão e Líbia — resultaram em consequências negativas prolongadas para a segurança internacional.
A linha diplomática brasileira mantém a tradição histórica de não intervenção e defesa do diálogo. Segundo interlocutores do Planalto, o país rechaça a guerra como alternativa para resolução de conflitos e considera a negociação política mais eficaz e menos custosa em termos humanos e econômicos.
Até o momento, o Brasil não sinalizou apoio a qualquer ação militar, nem anunciou medidas de alinhamento com blocos envolvidos diretamente na ofensiva.

Conflito se espalha pelo Oriente Médio
A guerra ganhou novas proporções após ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel contra o Irã no último sábado (28), seguidos por retaliações iranianas. De acordo com informações internacionais, os confrontos já atingiram ao menos nove países da região.
A Sociedade do Crescente Vermelho do Irã informou que mais de 500 pessoas morreram desde o início da ofensiva. Autoridades israelenses confirmaram mortes em seu território, assim como no Líbano. Instalações de petróleo no Golfo também foram alvo de ataques, ampliando o risco de impacto global no preço da energia.
O conflito atingiu ainda bases militares e aliados ocidentais, incluindo ataques a estruturas no Chipre e no Golfo Pérsico. A escalada levou países europeus a manifestarem preocupação com a legalidade inicial da ofensiva, embora alguns tenham sinalizado apoio defensivo diante das retaliações iranianas.
Impactos e incertezas
Para o governo brasileiro, o cenário é de incerteza prolongada. A avaliação interna é de que o conflito pode afetar cadeias globais de energia, mercados financeiros e a estabilidade política internacional.
Embora não esteja diretamente envolvido, o Brasil monitora os desdobramentos tanto do ponto de vista diplomático quanto econômico. A prioridade declarada é preservar canais multilaterais e apoiar iniciativas internacionais que levem à redução das hostilidades.




