A fabricante sueca Electrolux iniciou uma das maiores reorganizações recentes de sua operação global em meio à pressão por queda nas vendas, aumento de custos e avanço da concorrência internacional. Como parte do plano, a companhia aprovou uma emissão de ações equivalente a aproximadamente R$ 4,8 bilhões (US$ 970 milhões) e confirmou medidas que incluem fechamento de fábrica e redução de empregos.
A operação foi aprovada pelos acionistas no fim de maio e busca ampliar a liquidez da empresa para financiar mudanças estratégicas e reorganizar sua estrutura industrial.
O movimento ocorre poucas semanas após sindicatos europeus divulgarem detalhes de um plano que prevê cortes relevantes na operação italiana da fabricante.
O impacto mais imediato da reestruturação está concentrado na Itália.
Segundo informações apresentadas por entidades sindicais do setor metalúrgico, a empresa pretende eliminar cerca de 1,7 mil postos de trabalho, número que representa mais de 40% da força de trabalho local. O plano inclui o fechamento da fábrica de Cerreto d’Esi, próxima à cidade de Ancona, além de ajustes em outras unidades industriais mantidas no país.
Atualmente, a Electrolux possui cinco fábricas na Itália e emprega aproximadamente 4,5 mil pessoas no território italiano. As entidades sindicais passaram a pressionar por negociações para tentar reduzir os impactos sociais e preservar empregos.

Captação bilionária busca recuperar fôlego financeiro
Para sustentar o processo de reorganização, a companhia recebeu autorização para captar cerca de 9 bilhões de coroas suecas por meio da emissão de novas ações.
Os recursos devem ser direcionados para fortalecer o caixa e financiar iniciativas estratégicas, incluindo uma parceria com a fabricante chinesa Midea Group na América do Norte.
A operação financeira conta com apoio de instituições como Morgan Stanley, SEB e Deutsche Bank.
Concorrência asiática e queda da demanda pressionam setor
A situação enfrentada pela Electrolux acompanha uma tendência mais ampla observada na indústria global de eletrodomésticos.
Fabricantes tradicionais vêm enfrentando dificuldades para competir com grupos asiáticos que operam com custos menores e ampliaram participação no mercado internacional.
Ao mesmo tempo, a desaceleração do consumo reduziu a demanda por produtos da chamada linha branca em mercados considerados estratégicos.
Os resultados financeiros recentes ilustram esse cenário: no primeiro trimestre de 2026, a empresa registrou prejuízo operacional de 266 milhões de coroas suecas, revertendo o lucro operacional de 452 milhões registrado no mesmo período do ano anterior.
Segundo a companhia, parte da deterioração dos resultados está relacionada ao enfraquecimento do mercado norte-americano e ao aumento de custos tarifários.
Reestruturação também alcançou a América Latina
As mudanças promovidas pela empresa não ficaram restritas à Europa.
Em março deste ano, a Electrolux anunciou o encerramento das atividades produtivas de sua fábrica em Santiago, no Chile, decisão que gerou uma despesa estimada em cerca de 0,5 bilhão de coroas suecas.
Apesar da reorganização internacional, não existe anúncio oficial de fechamento de unidades ou cortes relacionados às operações da empresa no Brasil.
No mercado financeiro, as medidas foram recebidas com cautela e as ações da companhia chegaram a acumular queda de aproximadamente 24%, atingindo o menor nível em 17 anos. Além dos cortes previstos na Itália, estimativas associadas ao plano apontam impacto potencial próximo de 3 mil empregos globalmente.




