O impacto econômico mais óbvio da guerra entre Irã e Estados Unidos/Israel no Oriente Médio está nas cotações de petróleo, mas está longe de ser o único setor impactado pelo conflito, que completa 12 dias nesta quarta-feira (11). A guerra também pode aumentar o preço de fertilizantes, consequentemente aumentando o preço de vários alimentos nas prateleiras dos mercados.
Com o conflito, a produção e exportação de fertilizantes do Oriente Médio ficou prejudicada. E, como você talvez já saiba, quando a oferta diminui, o preço sobe. Além disso, com o Estreito de Ormuz fechado, aumenta o custo de transporte desses produtos, mais um fator que aumenta o preço deles. Segundo dados da Confederação de Agricultura e Pecuária no Brasil (CNA), o Oriente Médio é responsável por 30% dos fertilizantes comercializados no mundo.
O que é o Estreito de Ormuz?
“O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima localizada no Oriente Médio e que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico”, explica o Brasil Escola. Trata-se de uma das rotas comerciais mais importantes do mundo, principalmente para a exportação de petróleo. Na semana passada, o Irã anunciou que o estreito estava fechado e que qualquer navio que tentasse passar seria incendiado.
Quais alimentos devem ficar mais caros por causa da guerra no Oriente Médio?
Apesar de ser uma potência mundial da agropecuária, o Brasil ainda é muito dependente de fertilizantes exportados. Dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) apontam que importamos cerca de 85,7% dos fertilizantes usados por aqui. De acordo com o GLOBO, essa alta no preço de fertilizantes pode resultar em altas no preço de alimentos como milho e soja. Se a guerra se estender a longo prazo, carnes e ovos também devem ser afetados, já que milho e soja são a base da ração animal.
Consultado pelo GLOBO, o advogado Marcos Pelozato, especialista em reestruturação empresarial com atuação no agronegócio, opina que hortaliças, legumes e parte do hortifruti também devem sentir os efeitos, até mesmo antes dos grãos e derivados.
Alberto Pfeifer, pesquisador do Insper Agro Global, explicou que, como os produtos já têm estoque de fertilizantes para a safra atual, esse impacto da guerra só viria na próxima safra de verão, que começa a ser plantada em agosto, com tudo dependendo, claro, da evolução do conflito.




