Uma descoberta arqueológica pode mudar a compreensão científica sobre a origem da humanidade. Pesquisadores identificaram um fêmur de aproximadamente 7,2 milhões de anos, encontrado no sul da Bulgária, que apresenta características associadas ao bipedalismo, habilidade considerada um marco fundamental da evolução humana.
O fóssil foi analisado por uma equipe internacional de cientistas e os resultados foram publicados em 4 de março de 2026 na revista científica Palaeobiodiversity and Palaeoenvironments. Os pesquisadores sugerem que o osso pertence ao Graecopithecus, um antigo primata que pode representar um dos mais antigos ancestrais da linhagem humana.
Até hoje, o Graecopithecus era conhecido por apenas dois fragmentos fósseis: uma mandíbula parcial descoberta em 1944 perto de Atenas, na Grécia, e um dente isolado encontrado na Bulgária na década de 2010.
O achado, um fêmur quase completo descoberto em 2016 no sítio arqueológico de Azmaka, na região de Chirpan, permitiu análises mais detalhadas sobre a forma de locomoção desse antigo primata.

Segundo o paleoantropólogo David Begun, da Universidade de Toronto e coautor do estudo, o fóssil pode representar um dos primeiros membros da linhagem humana já identificados.
“Com cerca de 7,2 milhões de anos, esse ancestral que classificamos como pertencente ao gênero Graecopithecus pode ser o humano mais antigo conhecido”, afirmou o pesquisador.
Indícios de bipedalismo
A análise do osso revelou uma combinação incomum de características. A cabeça do fêmur tem formato esférico e bem definido, estrutura típica dos hominoides — grupo que inclui humanos e grandes primatas.
Ao mesmo tempo, o osso apresenta traços que sugerem uma transição evolutiva entre locomoção quadrúpede e bípede. O ângulo entre o colo e o eixo do fêmur se aproxima do observado em humanos modernos e em alguns dos primeiros hominídeos conhecidos, embora ainda não apresente todas as adaptações típicas de quem anda totalmente ereto.
Para os pesquisadores, essa mistura de características pode representar um estágio intermediário da evolução humana — uma possível “ligação perdida” entre primatas que viviam em árvores e os primeiros ancestrais adaptados à vida no solo.
Hipótese desafia teoria tradicional
Durante décadas, a maioria dos cientistas considerou que os primeiros ancestrais humanos surgiram exclusivamente na África, onde o bipedalismo teria evoluído entre 6 e 7 milhões de anos atrás.
A descoberta do fêmur na Bulgária, porém, levanta a hipótese de que alguns desses processos evolutivos possam ter ocorrido inicialmente na região dos Bálcãs, antes de populações desses primatas migrarem para o continente africano.
Os autores do estudo sugerem que o Graecopithecus descende de primatas que viveram na Europa e na Anatólia durante o Mioceno tardio. Mudanças climáticas e a formação de ambientes mais secos podem ter provocado migrações em direção à África entre 8 e 6 milhões de anos atrás, movimento que também teria influenciado a evolução de espécies que deram origem a chimpanzés, gorilas e humanos.




