Um estudo divulgado pelo Movimento Profissão Docente revelou que o Mato Grosso do Sul paga o maior salário inicial para professores da rede estadual no Brasil, com remuneração de R$ 13.007,12 para jornada de 40 horas semanais. O valor é mais que o dobro do piso nacional do magistério e representa o maior vencimento de entrada entre todos os estados.
Além de liderar o ranking de salário inicial, o estado também apresenta a maior remuneração ao final da carreira, que pode chegar a R$ 26,5 mil. A rede estadual sul-mato-grossense conta atualmente com cerca de 21 mil professores.
O levantamento analisou os salários iniciais pagos aos professores das redes estaduais em 2025 em todas as unidades da federação. Segundo o estudo, a remuneração média inicial dos docentes no Brasil é de R$ 6.212,36, valor cerca de 28% acima do piso nacional do magistério, fixado em R$ 4.867,77.
Em relação a 2024, o salário médio teve crescimento de 6,22%. Ao todo, os valores iniciais pagos pelos estados variam entre o piso nacional e pouco mais de R$ 13 mil, dependendo da unidade federativa.
De acordo com o levantamento, apenas cinco estados pagam salário inicial superior a R$ 7 mil:
- Mato Grosso do Sul: R$ 13.007,12
- Maranhão: R$ 8.452,03
- Pará: R$ 8.289,86
- Roraima: R$ 7.700,47
- Mato Grosso: R$ 7.343,44
Os dados foram coletados junto às secretarias estaduais de Educação e na legislação de cada estado, passando por validação antes da divulgação.
Diferença entre estados ainda é grande
Apesar do avanço nos últimos anos, o estudo aponta que ainda há grande desigualdade na remuneração entre os estados. O Rio de Janeiro, por exemplo, paga exatamente o valor do piso nacional, enquanto Minas Gerais remunera seus professores com apenas R$ 0,20 acima do mínimo estabelecido por lei.
Além disso, a pesquisa identificou cerca de 180 tipos de gratificações e adicionais que podem compor o salário dos docentes. No entanto, esses benefícios geralmente não são incorporados à aposentadoria desde a reforma da Previdência de 2019.
Apenas seis estados, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Alagoas, São Paulo e Rio Grande do Sul, utilizam o modelo de subsídio, que reúne toda a remuneração em um único valor, aumentando a transparência sobre o salário real do professor.
Progressão na carreira é desafio
Mesmo com salários iniciais mais altos em algumas regiões, especialistas apontam que a evolução salarial ao longo da carreira ainda é limitada. A chamada amplitude remuneratória média nas redes estaduais é de 49%, ou seja, o aumento máximo que um professor consegue alcançar é inferior à metade do salário inicial.
Em comparação internacional, países com sistemas educacionais consolidados — como Canadá, Luxemburgo, Áustria e Japão — apresentam progressões salariais que variam entre 72,7% e 110,2% ao longo da carreira docente.
As redes estaduais são responsáveis por quase um terço dos cerca de 2,4 milhões de professores da educação básica no Brasil, o que torna a política salarial desses sistemas um fator central para o futuro da educação no país.




