Pesquisadores da Northwestern University, nos Estados Unidos, desenvolveram um novo tipo de robô que está chamando a atenção da comunidade científica por sua capacidade de resistir a danos e continuar funcionando mesmo após sofrer cortes ou separações de partes. Batizadas de “legged metamachines”, as máquinas representam uma nova geração de robôs modulares criados com apoio de inteligência artificial.
O estudo, publicado em 6 de março na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, apresenta um sistema em que robôs são formados por módulos independentes que podem se conectar e se reorganizar, permitindo diferentes formas e movimentos.
Cada módulo do robô tem formato semelhante a uma esfera com dois cilindros laterais e funciona como um robô completo. Ele possui motor, bateria, sensores e um pequeno computador próprio, o que permite que a peça se movimente sozinha.
Quando conectados, os módulos formam estruturas maiores com grande variedade de formatos. Segundo os pesquisadores, apenas dois módulos podem gerar até 435 configurações diferentes, enquanto cinco módulos permitem centenas de bilhões de combinações possíveis.
Essa arquitetura modular faz com que o robô possa se reorganizar para diferentes funções ou condições do ambiente.
Inteligência artificial cria “espécies” de máquinas
Ao contrário de robôs tradicionais, projetados diretamente por engenheiros, essas máquinas tiveram suas formas definidas por um processo chamado de “evolução digital”.
Nesse método, algoritmos de inteligência artificial simulam milhares de possibilidades de design dentro de um computador e selecionam as mais eficientes, em um processo semelhante à seleção natural da biologia.
Como resultado, surgiram robôs com formas e movimentos incomuns. Dependendo da configuração, as metamachines podem se mover como focas, saltar como cangurus ou se deslocar de forma semelhante a lagartos.
Resistência a danos impressiona pesquisadores
Outro aspecto que chama atenção é a capacidade de resistência a danos físicos. Mesmo quando partes do robô são separadas, os módulos continuam funcionando de forma independente e podem se reconectar posteriormente.
Além disso, os robôs conseguem se virar sozinhos quando ficam de cabeça para baixo, saltar obstáculos e se locomover em terrenos difíceis, como cascalho, lama e raízes, sem necessidade de reprogramação.
Segundo o pesquisador Sam Kriegman, líder do estudo, trata-se do primeiro sistema robótico projetado digitalmente que consegue operar em ambientes externos sem necessidade de treinamento adicional.
Possíveis aplicações no futuro
Embora a tecnologia ainda esteja em fase experimental, os cientistas acreditam que o conceito pode abrir caminho para uma nova geração de dispositivos capazes de se adaptar ao ambiente e resistir a danos.
Entre as possíveis aplicações estão assistentes domésticos que mudam de forma para executar tarefas diferentes, drones de exploração capazes de enfrentar terrenos extremos e equipamentos tecnológicos capazes de se reorganizar ou continuar operando mesmo após sofrer avarias.




