O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a nova regra de isenção do Imposto de Renda pode representar, na prática, um ganho equivalente a um “14º salário” para milhões de brasileiros. A declaração foi feita após a sanção da lei que amplia a faixa de isenção para quem recebe até R$ 5 mil mensais.
Segundo o governo, a medida passa a valer nas declarações a partir de 2027 e deve beneficiar cerca de 15 milhões de contribuintes. Desses, aproximadamente 10 milhões deixarão de pagar o imposto, enquanto outros cinco milhões terão redução no valor devido.
Durante pronunciamento em rede nacional, Lula explicou que a comparação com um “14º salário” se refere à economia anual gerada pela isenção. De acordo com o presidente, um trabalhador com renda mensal de R$ 4,8 mil pode deixar de pagar cerca de R$ 4 mil por ano em imposto.
“É quase um 14º salário”, afirmou, ao destacar que o valor economizado permanece no bolso do contribuinte, ampliando o poder de compra das famílias.
A estimativa da Receita Federal é de que a medida injete aproximadamente R$ 28 bilhões na economia, estimulando o consumo e o crescimento econômico.
Mudança amplia faixa de isenção
Além da isenção total para rendas de até R$ 5 mil, a nova legislação também prevê descontos progressivos para quem ganha até R$ 7.350 mensais. A proposta foi aprovada por unanimidade no Congresso Nacional e sancionada no fim de março.
A iniciativa faz parte de uma política de correção da tabela do Imposto de Renda, que já vinha sendo reajustada desde 2023 após anos de defasagem.
Compensação será feita com taxação de altas rendas
Para equilibrar a perda de arrecadação, o governo incluiu na lei a criação de uma tributação mínima para contribuintes de alta renda. A nova regra atinge quem recebe acima de R$ 600 mil por ano, com alíquota progressiva que pode chegar a 10%.
A expectativa é que cerca de 140 mil pessoas sejam impactadas por essa cobrança. Segundo o governo, a medida busca corrigir distorções históricas no sistema tributário brasileiro, sem necessidade de cortes em serviços públicos.
Durante o anúncio, Lula defendeu que a mudança representa um avanço no combate à desigualdade. O presidente afirmou que trabalhadores que vivem de salário pagam proporcionalmente mais impostos do que pessoas com rendimentos elevados, cenário que classificou como injusto.




