Um hábito presente em muitas cozinhas, lavar o frango antes do preparo, pode representar um risco à saúde maior do que se imagina. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, doenças transmitidas por alimentos causam mais de 600 milhões de casos e cerca de 420 mil mortes por ano no mundo, sendo a contaminação cruzada uma das principais formas de transmissão.
Apesar de ser visto como um cuidado de higiene, lavar o frango cru não elimina microrganismos e ainda contribui para espalhá-los pela cozinha. O problema não está na carne em si, mas na forma como ela é manipulada antes do cozimento.
O frango cru pode conter bactérias como Salmonella e Campylobacter, responsáveis por infecções gastrointestinais. Ao ser lavado em água corrente, pequenas gotículas contaminadas se espalham pela pia, utensílios, superfícies e até alimentos que já estão prontos para consumo.
Estudos indicam que esse processo é mais comum do que parece. Um levantamento do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos mostrou que, entre pessoas que lavam o frango, 60% contaminam a pia e 26% transferem bactérias para outros alimentos, como saladas.
Experimentos laboratoriais também demonstram como a contaminação ocorre. Em testes acompanhados pela imprensa internacional, cientistas utilizaram substâncias visíveis sob luz ultravioleta para simular a presença de bactérias. Em poucos segundos de lavagem, os resíduos já estavam espalhados por toda a área de preparo.

Cozimento é a principal proteção
Especialistas destacam que o calor é o método mais eficaz para eliminar os microrganismos presentes no frango. Quando bem cozido, o alimento deixa de representar risco. O problema surge quando as bactérias atingem superfícies ou alimentos que não serão submetidos ao calor.
Infecções causadas por esses agentes podem provocar sintomas como diarreia, febre, náuseas e dores abdominais. Em grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas com baixa imunidade, o quadro pode se agravar.
Apesar das recomendações, o hábito de lavar o frango ainda persiste em diversas culturas, muitas vezes associado à ideia de limpeza. No entanto, autoridades sanitárias reforçam que a prática é desnecessária, especialmente porque o produto já passa por processos de inspeção antes de chegar ao consumidor.
A orientação é evitar a lavagem, higienizar bem as mãos e utensílios após o manuseio da carne crua e garantir o cozimento completo como forma segura de preparo.




