A escalada dos preços do petróleo no mercado internacional, intensificada pela guerra no Oriente Médio, já começa a impactar diretamente o bolso dos brasileiros. Com o aumento expressivo no custo do querosene de aviação, companhias aéreas têm adotado medidas como reajuste de tarifas e corte de voos para equilibrar as contas.
Nos Estados Unidos, a United Airlines anunciou aumento de 15% a 20% nas passagens durante a alta temporada. A decisão, segundo o CEO Scott Kirby, busca compensar a disparada do combustível e preservar a rentabilidade da empresa diante de um cenário considerado “incrivelmente volátil”.
O aumento do petróleo tem efeito direto sobre o querosene de aviação, um dos principais custos das companhias. Desde o início do conflito, o barril saltou de cerca de US$ 70 para mais de US$ 115, elevando significativamente os gastos operacionais.
No Brasil, a Petrobras já aplicou reajustes sucessivos no combustível, incluindo uma alta de 54% em abril. Há expectativa de um novo aumento em maio, o que pode agravar ainda mais o cenário para o setor.
Segundo a Abear, o combustível passou a representar cerca de 45% dos custos das companhias aéreas, ante pouco mais de 30% anteriormente. A entidade alerta que a escalada pode gerar “consequências severas”, afetando a oferta de voos e a conectividade no país.
Cancelamentos e impacto nas rotas
Como reflexo imediato, empresas que operam no Brasil já suspenderam mais de 2 mil voos previstos para maio, de acordo com dados da Anac. Os cortes atingem principalmente rotas menos rentáveis.
Entre os estados mais impactados estão Amazonas, Pernambuco, Goiás, Pará e Paraíba, com reduções que chegam a 17,5% no número de voos. Rotas mais movimentadas, como as ligações entre São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, ainda não foram significativamente afetadas.
Tendência de alta nas passagens
Embora nem todas as companhias tenham anunciado oficialmente reajustes no Brasil, executivos do setor indicam que o repasse de custos ao consumidor é inevitável caso o cenário persista.
A estratégia segue o movimento já adotado por empresas internacionais, que buscam recuperar até 100% do impacto gerado pela alta do combustível. Além disso, a redução de voos pode diminuir a oferta de assentos, pressionando ainda mais os preços.
Especialistas apontam que, se a volatilidade do petróleo continuar, o transporte aéreo pode se tornar ainda mais caro nos próximos meses, afetando tanto viagens de lazer quanto deslocamentos corporativos.




