O Santander Brasil divulgou resultados do primeiro trimestre de 2026 com queda no lucro e aumento da inadimplência, cenário que acende um alerta para clientes com dívidas ativas na instituição. O banco registrou lucro líquido recorrente de R$ 3,78 bilhões, recuo de 1,9% em relação ao mesmo período do ano passado.
O desempenho veio abaixo das expectativas do mercado e reflete um ambiente econômico mais desafiador, marcado por juros elevados e maior endividamento de famílias e empresas.
Um dos principais pontos de atenção é o avanço da inadimplência. O índice de atrasos acima de 90 dias subiu para 3,3% no período, ante 2,8% um ano antes. Entre pessoas físicas, a taxa chegou a 4,9%, enquanto pequenas e médias empresas registraram índice ainda mais elevado, de 6%.
Segundo o banco, a piora foi mais intensa entre clientes de menor renda e empresas de menor porte, justamente os mais impactados pelo aumento do custo do crédito.
O cenário está diretamente ligado à taxa básica de juros, a Selic, que avançou de 13,25% para 15% no intervalo de um ano, encarecendo financiamentos, cartões de crédito e empréstimos.
Impactos para quem tem dívida
Com juros mais altos e aumento dos atrasos, especialistas apontam que o risco de inadimplência tende a crescer, o que pode resultar em maior restrição de crédito, renegociações mais rígidas e dificuldades para novos financiamentos.
Além disso, clientes que atrasam pagamentos podem enfrentar cobranças adicionais, negativação do nome e aumento do saldo devedor devido aos encargos.
Banco reduz estrutura e mantém expansão de clientes
O Santander também promoveu ajustes internos, com o fechamento de 48 agências no trimestre e redução no número de funcionários ao longo dos últimos 12 meses. Apesar disso, a base de clientes pessoa física cresceu 6% em um ano, chegando a 75,2 milhões.
A carteira de crédito totalizou R$ 705,5 bilhões, com leve queda no trimestre, refletindo a retração em linhas como crédito consignado e cartões.
Mesmo com a queda no lucro, o banco afirma manter foco em crescimento sustentável. No entanto, o ambiente econômico segue pressionado, o que exige cautela dos consumidores.




