O governo federal acelera os preparativos para uma nova fase do programa de renegociação de dívidas, conhecido como Desenrola, com mudanças que podem atingir diretamente milhões de trabalhadores brasileiros. A proposta, que vem sendo ajustada pela equipe econômica a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, busca ampliar o alcance da iniciativa e oferecer condições mais vantajosas para aliviar o endividamento das famílias.
A principal novidade em discussão é a possibilidade de incluir pessoas que, mesmo com dívidas elevadas, ainda conseguem manter os pagamentos em dia. A medida representa uma mudança relevante no desenho do programa, que até então priorizava inadimplentes.
A preocupação do governo se concentra especialmente nos trabalhadores informais, grupo que enfrenta maior dificuldade de acesso a políticas públicas e que, segundo interlocutores do Planalto, tem demonstrado insatisfação diante da pressão financeira.
Dados do Banco Central do Brasil indicam que 29,7% da renda das famílias está comprometida com dívidas, o maior nível já registrado. Esse cenário tem levado o governo a tratar o endividamento como um dos principais entraves ao aumento do poder de consumo e à melhora na percepção econômica.
Nos bastidores, técnicos avaliam que incluir quem ainda está adimplente pode aumentar significativamente o número de beneficiários, o que exige ajustes operacionais e maior capacidade financeira do programa. Por isso, existe a possibilidade de essa ampliação ocorrer apenas em etapas futuras.
Descontos, juros menores e foco na reorganização financeira
A nova versão do Desenrola deve manter como base a renegociação de dívidas com condições mais acessíveis. A expectativa é de que os descontos variem entre 40% e 90% do valor devido, dependendo do tempo de atraso.
Além disso, o governo trabalha para limitar as taxas de juros a cerca de 1,99% ao mês em modalidades como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal — consideradas entre as mais caras do mercado.
Para viabilizar o programa, a União deve destinar entre R$ 8 bilhões e R$ 9 bilhões ao Fundo Garantidor de Operações (FGO), mecanismo que reduz o risco para os bancos e facilita a concessão de crédito em condições melhores.
Inicialmente, também foi estudada a liberação de recursos do FGTS para pagamento de dívidas, mas a proposta foi descartada por questões legais e por preocupações com a segurança financeira dos trabalhadores no longo prazo.
Nova estratégia busca impacto mais amplo na economia
A reformulação do programa ocorre em um momento em que o governo tenta equilibrar bons indicadores econômicos com a percepção da população. Apesar da melhora no mercado de trabalho, o alto nível de endividamento continua pressionando o orçamento das famílias.
A expectativa é que a nova fase do Desenrola alcance dezenas de milhões de brasileiros, ampliando o acesso à renegociação e criando condições para uma reorganização financeira mais sustentável.
Ainda sem data oficial confirmada, o anúncio do programa deve ocorrer nos próximos dias, com detalhamento das regras e critérios de participação.




