A França se consolidou como uma das principais referências mundiais na redução da jornada de trabalho, após adotar o modelo de 35 horas semanais. A medida, implementada no final dos anos 1990, voltou ao centro das discussões internacionais diante de novos debates sobre qualidade de vida e produtividade.
Estudo publicado pelo Instituto de Economia do Trabalho, da Alemanha, analisou os efeitos da redução da jornada em países europeus e não identificou impactos negativos significativos no crescimento econômico ou no nível de emprego.
A pesquisa avaliou dados de cinco países, França, Itália, Bélgica, Portugal e Eslovênia, entre 1995 e 2007. Segundo os pesquisadores, a redução da carga horária foi absorvida pelas economias sem prejuízos relevantes ao Produto Interno Bruto (PIB) ou ao número de vagas de trabalho.
Além disso, o levantamento apontou efeitos positivos, ainda que considerados modestos, no valor pago por hora trabalhada e na produtividade. Durante o período analisado, esses países registraram crescimento econômico consistente, mesmo com a diminuição das horas semanais.
Os autores destacam que o aumento do custo da mão de obra por hora foi rapidamente incorporado pelas empresas, sem provocar distorções significativas no mercado.
Debate avança no Brasil
Enquanto isso, o tema ganha força no Brasil. Propostas em tramitação no Congresso Nacional discutem a redução da jornada atual de 44 horas semanais e o fim da escala 6×1.
Uma das iniciativas prevê a adoção de modelos mais flexíveis, como a semana de quatro dias de trabalho, conhecida como escala 4×3. Outra proposta sugere uma redução gradual da jornada ao longo dos próximos anos.
Experiências piloto realizadas em diferentes países, incluindo o Brasil, indicam possíveis benefícios como aumento da produtividade, redução de faltas e melhora no bem-estar dos trabalhadores.
Tendência global de mudanças no trabalho
O debate sobre jornadas mais curtas tem ganhado espaço em diversas partes do mundo, impulsionado por transformações no mercado de trabalho, avanços tecnológicos e novas demandas por equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
Embora os resultados variem conforme o contexto econômico de cada país, estudos indicam que a redução da jornada pode ser implementada sem impactos negativos relevantes, desde que acompanhada por ajustes estruturais nas empresas e políticas públicas adequadas.




