O Brasil registrou a criação de 613.373 novos postos de trabalho com carteira assinada entre janeiro e março de 2026, segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho. O resultado reforça a expansão do mercado formal, embora indique uma desaceleração em relação ao mesmo período de 2025.
Apenas no mês de março, foram abertas 228.208 vagas formais no país, número acima das expectativas do mercado, que projetava cerca de 160 mil novos postos. Apesar do desempenho positivo, o acumulado do trimestre é cerca de 10% inferior ao registrado no ano passado, quando o saldo chegou a 675.119 vagas.
De acordo com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, a perda de ritmo na geração de empregos está diretamente ligada ao atual patamar elevado da taxa de juros. Segundo ele, o custo do crédito mais alto tem impacto direto nas decisões de investimento das empresas e, consequentemente, na abertura de novas vagas.
Mesmo com a desaceleração, o mercado de trabalho segue aquecido. Desde janeiro de 2023 até março deste ano, o país acumulou mais de 7,1 milhões de empregos gerados, sendo mais de 5 milhões com carteira assinada.
Setores e regiões com melhor desempenho
Quatro dos cinco principais setores da economia registraram saldo positivo de vagas em março. O destaque ficou com o setor de serviços, responsável por mais de 152 mil novas vagas, seguido por construção civil, indústria e comércio. A agropecuária foi o único segmento com resultado negativo, reflexo de fatores sazonais ligados à produção agrícola.
Regionalmente, 24 das 27 unidades da federação tiveram saldo positivo. São Paulo liderou a geração de empregos, com cerca de 67 mil vagas abertas, seguido por Minas Gerais e Rio de Janeiro. Na outra ponta, estados como Alagoas, Mato Grosso e Sergipe apresentaram retração no período.
Perfil das vagas e renda
O salário médio de admissão em março foi de R$ 2.350,83, com leve queda em relação ao mês anterior. Ainda assim, o valor representa aumento quando comparado ao mesmo período de 2025.
Os dados também indicam crescimento tanto para homens quanto para mulheres, com maior número de vagas sendo ocupado pelo público feminino no mês analisado.
Apesar dos números positivos, especialistas apontam desafios estruturais, especialmente entre os jovens, que ainda enfrentam maior dificuldade de inserção no mercado formal e concentram-se em ocupações de menor remuneração e alta rotatividade.




