O sistema de pagamentos instantâneos PIX, criado pelo Banco Central do Brasil, deve dominar a reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump, marcada para esta quinta-feira (7), em Washington. O encontro ocorre em meio ao aumento da tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos após o governo americano abrir uma investigação sobre serviços de pagamento eletrônico ligados ao Estado brasileiro.
A apuração foi iniciada em julho de 2025 pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), ligado à Casa Branca. Embora o documento oficial não cite diretamente o PIX, a investigação menciona “serviços de comércio digital e pagamento eletrônico” desenvolvidos pelo governo brasileiro, o que colocou o sistema nacional no centro das discussões.
Segundo o USTR, o Brasil estaria adotando práticas consideradas desleais ao favorecer soluções públicas de pagamento eletrônico em detrimento de empresas privadas internacionais. O tema voltou a aparecer em um relatório divulgado pela Casa Branca em abril deste ano, que classificou o PIX como um modelo que reduz espaço para gigantes do setor financeiro, como Visa e Mastercard.
PIX cresce fora do Brasil e amplia presença internacional
Enquanto o debate avança nos bastidores diplomáticos, o PIX segue expandindo a atuação fora do Brasil. O sistema já começa a ser aceito em países da América Latina, como Argentina, Paraguai e Uruguai, além de pontos específicos em Portugal e nos Estados Unidos, principalmente na Flórida, região com grande circulação de turistas brasileiros.
O funcionamento ocorre, na maioria dos casos, por meio de QR Codes instalados em maquininhas de cartão. O consumidor paga em reais diretamente pelo aplicativo bancário, enquanto o comerciante recebe na moeda local após conversão automática.
Empresas do setor financeiro também vêm ampliando a integração do PIX com sistemas estrangeiros. A plataforma RoamingPay, da PagBrasil, conecta o meio de pagamento brasileiro a redes internacionais, como o Transferencias 3.0, da Argentina, o SIPAP, do Paraguai, e o Bre-B, da Colômbia.
Investigação dos EUA pode gerar sanções comerciais
A investigação aberta pelos Estados Unidos utiliza como base a chamada “Seção 301 da Lei de Comércio de 1974”, mecanismo jurídico que permite ao governo americano aplicar medidas unilaterais contra países considerados prejudiciais aos interesses econômicos dos EUA.
Esse instrumento já foi utilizado anteriormente em disputas comerciais envolvendo a China e agora passou a incluir o Brasil no radar das autoridades americanas.
Segundo o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, as conclusões da investigação devem sair “nos próximos meses”. A preocupação no Palácio do Planalto é que a análise técnica do caso seja influenciada pelo cenário político e pelas negociações diretas entre os dois presidentes.
Hoje, o PIX já responde por mais da metade das transações financeiras realizadas no Brasil e se consolidou como o principal sistema de pagamentos do país desde a criação em 2020.




