Um hospital da Holanda colocou 12 profissionais de saúde em quarentena preventiva após o manuseio de sangue e urina de um paciente contaminado com hantavírus sem a adoção dos protocolos mais rígidos de segurança. A medida foi tomada pelo Hospital Radboudumc, localizado na cidade de Nijmegen, em meio ao monitoramento internacional do surto associado ao navio de cruzeiro MV Hondius.
Segundo as autoridades holandesas, os funcionários permanecerão isolados por seis semanas. Apesar da preocupação, o hospital informou que o risco de infecção é considerado baixo e que o atendimento aos pacientes segue normalmente.
O episódio acontece em meio à mobilização de órgãos de saúde para conter a disseminação da cepa andina do hantavírus, identificada em passageiros do cruzeiro que saiu da Argentina rumo à África e transportava turistas de mais de 20 nacionalidades.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou nove casos da cepa andina do hantavírus ligados ao cruzeiro, além de duas suspeitas adicionais. Três mortes já foram registradas desde o início do surto: um casal holandês e um cidadão alemão.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que novos casos ainda podem surgir devido ao longo período de incubação do vírus, que pode chegar a seis semanas. Apesar disso, a entidade reforçou que o cenário não representa uma pandemia semelhante à Covid-19.
As autoridades sanitárias explicaram que todos os casos suspeitos foram isolados e seguem sob supervisão médica rigorosa para reduzir riscos de transmissão.

Como ocorreu a quarentena na Holanda
O paciente infectado foi internado no Hospital Radboudumc em 7 de maio. Segundo a ministra da Saúde da Holanda, Sophie Hermans, os protocolos foram seguidos parcialmente, mas não no nível máximo exigido para o hantavírus andino.
Ela destacou que a decisão de colocar os profissionais em quarentena foi adotada por precaução diante da gravidade potencial da doença.
O navio MV Hondius deixou Tenerife, nas Ilhas Canárias, e segue viagem de retorno para a Holanda com tripulação reduzida, um médico e uma enfermeira a bordo. A embarcação deve chegar ao país europeu em 17 de maio.
Doença preocupa pela gravidade
O hantavírus normalmente é transmitido por roedores silvestres, mas a cepa andina identificada no surto possui uma característica rara: também pode ser transmitida entre pessoas em situações de contato próximo.
Especialistas afirmam que essa possibilidade aumenta a necessidade de protocolos rígidos em hospitais e aeroportos.

Na Espanha, um cidadão testou positivo para a doença e outras 13 pessoas chegaram a ficar isoladas preventivamente em um hospital militar de Madri. Já na França, um passageiro contaminado permanece internado em estado grave, porém estável.
Autoridades italianas também investigam um possível caso envolvendo um homem que teve contato com uma das vítimas fatais do surto.
Hantavirose existe no Brasil há décadas
Embora a cepa andina não tenha circulação registrada no Brasil, a hantavirose é considerada endêmica pelo Ministério da Saúde. A doença circula principalmente em áreas rurais e apresenta alta taxa de letalidade.
Dados oficiais mostram que o país registrou sete casos de hantavirose em 2026 até abril, com uma morte confirmada.
Entre 1993 e 2025, foram contabilizados 2.429 casos e 997 mortes no território brasileiro.
As regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste concentram a maior parte das ocorrências. Casos da Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus já foram registrados em estados como São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso do Sul.
A hantavirose pode começar com sintomas semelhantes aos de uma gripe forte, incluindo febre, dores musculares, cansaço e dor de cabeça. Nos casos mais graves, a doença evolui rapidamente para comprometimento pulmonar e insuficiência respiratória.




