A corrida mundial pela inteligência artificial começou a atingir diretamente o bolso dos consumidores. Um novo relatório da revista Fast Company aponta que smartphones podem ficar significativamente mais caros entre 2026 e 2027 por causa da crescente disputa global por memória RAM, componente essencial para celulares, computadores e data centers.
O principal motivo está na expansão acelerada da infraestrutura de IA. Empresas como NVIDIA, Amazon e Google passaram a consumir volumes gigantescos de chips de memória LPDDR, mesma tecnologia usada em smartphones premium. Com a demanda superando a capacidade de produção das fabricantes, os preços dispararam.
Segundo o relatório, o valor da RAM mais que dobrou desde outubro de 2025. Em alguns casos, fabricantes relataram aumentos de até 500% no custo do componente em poucos meses.
Especialistas do setor afirmam que o impacto já começou a atingir a indústria eletrônica. O aumento do custo da memória deve pressionar diretamente os preços finais dos aparelhos, especialmente os modelos topo de linha equipados com recursos avançados de inteligência artificial embarcada.
De acordo com Mike Howard, analista da Tech Insights, um smartphone comum poderá ter aumento médio de US$ 30 no custo de fabricação. Como as margens da indústria são consideradas apertadas, a tendência é que a maior parte desse valor seja repassada aos consumidores.
A situação pode ser ainda mais grave nos celulares intermediários e de entrada. Dados da IDC indicam que aparelhos abaixo de US$ 100 podem se tornar economicamente inviáveis nos próximos anos.
A consultoria também projeta uma queda de 12,9% nas remessas globais de smartphones em 2026, no que seria o pior recuo do setor em mais de uma década.
Mercado premium deve ganhar força
Com a pressão sobre custos, fabricantes já começam a rever estratégias. Algumas empresas avaliam atrasar lançamentos, reduzir especificações técnicas ou concentrar esforços em aparelhos premium, onde há maior margem de lucro.
O CEO da marca Nothing, Carl Pei, afirmou que as fabricantes terão apenas duas opções: aumentar preços em até 30% ou reduzir desempenho e especificações dos dispositivos.
Além disso, a inteligência artificial passou a exigir mais memória nos próprios celulares. Recursos como assistentes generativos, edição automática de imagens e tradução em tempo real dependem de maior capacidade de processamento e armazenamento temporário.
Data centers viram prioridade das fabricantes
O crescimento explosivo da IA fez os grandes data centers se tornarem prioridade para as fabricantes de memória. Empresas do setor de nuvem estão fechando contratos bilionários para garantir fornecimento de chips para 2026 e 2027.
Segundo analistas, isso reduziu a disponibilidade de componentes para a indústria de eletrônicos de consumo.
A Micron, uma das maiores fabricantes de memória do mundo, anunciou recentemente que deixará de vender módulos da marca Crucial para concentrar a produção no mercado de inteligência artificial.
Consumidor pode recorrer ao mercado de usados
Com a expectativa de preços mais altos, especialistas acreditam que muitos consumidores deverão adiar a troca de aparelho. O mercado de celulares usados e recondicionados tende a crescer nos próximos anos como alternativa para quem não quiser pagar mais caro por novos dispositivos.
A previsão do setor é que a pressão sobre preços continue pelo menos até meados de 2027, quando a oferta global de memória poderá voltar a se equilibrar com a demanda.



