A China lançou neste domingo (24) a missão tripulada Shenzhou-23, considerada uma das mais ambiciosas do programa espacial do país. Pela primeira vez, um astronauta chinês poderá permanecer durante um ano completo no espaço, em uma experiência voltada à preparação de futuras viagens de longa duração para a Lua e, futuramente, Marte.
A nave foi lançada às 23h08 no horário de Pequim, 12h08 em Brasília, a bordo do foguete Longa Marcha-2F, a partir do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, no deserto de Gobi, no noroeste chinês.
Segundo a Agência Espacial Tripulada da China (CMSA), a espaçonave entrou com sucesso na órbita programada cerca de dez minutos após a decolagem. A missão foi classificada pelas autoridades chinesas como um “sucesso completo”.
A Shenzhou-23 levará três astronautas para a estação espacial Tiangong, onde serão realizados experimentos científicos e avaliações sobre os efeitos da permanência prolongada em microgravidade.
A tripulação é formada pelo comandante Zhu Yangzhu, que já participou da missão Shenzhou-16, além de Zhang Zhiyuan, ex-piloto da força aérea chinesa, e Li Jiaying, ex-integrante da polícia de Hong Kong.
Li entrou para a história como a primeira astronauta da região administrativa especial de Hong Kong a viajar ao espaço. Ela também se tornou a quarta mulher chinesa a realizar uma missão espacial tripulada.
A agência espacial chinesa informou que ainda definirá qual integrante permanecerá por até 12 meses em órbita. Até então, as missões chinesas realizavam revezamentos semestrais na estação Tiangong.
Efeitos da microgravidade serão monitorados
O principal objetivo da estadia prolongada é estudar os impactos físicos e psicológicos causados pelo espaço no corpo humano.
Entre os efeitos monitorados estão:
- perda de massa muscular;
- redução da densidade óssea;
- alterações no sono;
- fadiga psicológica;
- exposição contínua à radiação cósmica.
Os dados serão usados no desenvolvimento de futuras missões tripuladas de longa duração, especialmente nos planos da China de enviar astronautas à Lua até 2030.
A missão também fará novos testes tecnológicos na Tiangong, incluindo operações automáticas de acoplamento e transferência de tripulação entre módulos espaciais.
Programa espacial chinês ganha força após exclusão da ISS
O avanço espacial chinês ocorre após décadas de investimentos bilionários do governo. Desde 2011, a China está oficialmente excluída da Estação Espacial Internacional (ISS), devido a restrições impostas pelos Estados Unidos.
A partir disso, o país acelerou sua estratégia de independência tecnológica e construiu sua própria estação orbital.
Com a Shenzhou-23, a China chega à marca de 30 astronautas enviados ao espaço e ao 644º lançamento da série de foguetes Longa Marcha.



