Pesquisadores da Texas A&M University desenvolveram um spray nasal experimental que pode representar um novo avanço no combate ao Alzheimer e a outras formas de demência.
A tecnologia utiliza vesículas extracelulares derivadas de células-tronco para reduzir processos de neuroinflamação ligados ao envelhecimento cerebral e às doenças neurodegenerativas. Em testes realizados com camundongos, o tratamento apresentou resultados considerados promissores na preservação das funções cognitivas.
Os cientistas afirmam que o objetivo é criar uma alternativa menos invasiva para retardar a progressão do Alzheimer, além de auxiliar na recuperação de sequelas de AVC e no combate ao declínio cognitivo associado ao envelhecimento.
O estudo concentra esforços em combater a neuroinflamação, um dos fatores associados ao agravamento do Alzheimer.
Segundo os pesquisadores, células do sistema imunológico cerebral chamadas micróglias e astrócitos ajudam inicialmente a remover proteínas tóxicas do cérebro. Porém, com o avanço da doença, essas células passam a agir de forma excessiva e acabam destruindo neurônios saudáveis.
O spray nasal foi desenvolvido justamente para controlar essa resposta inflamatória.
Nos testes laboratoriais, os cientistas administraram duas doses do tratamento em camundongos geneticamente modificados para desenvolver sintomas semelhantes ao Alzheimer. Após a aplicação, os animais passaram por avaliações comportamentais e cognitivas durante semanas.
As análises mostraram redução da inflamação cerebral e desaceleração do acúmulo de proteínas prejudiciais associadas à doença.

Cientistas falam em possível atraso da doença
Os pesquisadores acreditam que, caso os resultados sejam confirmados em humanos, o tratamento poderá retardar significativamente a progressão do Alzheimer.
Algumas projeções iniciais apontam que a terapia poderia atrasar o desenvolvimento da doença em até 15 anos.
O estudo foi publicado no periódico científico Journal of Extracellular Vesicles e já teve patente registrada nos Estados Unidos.
Aplicação nasal busca facilitar tratamento
Um dos diferenciais da tecnologia é a aplicação pelo nariz, considerada mais simples e menos invasiva do que métodos tradicionais utilizados em terapias neurológicas.
A estratégia também tenta superar uma das principais dificuldades no tratamento de doenças cerebrais: levar medicamentos até o cérebro de forma eficiente.
Além da pesquisa da Texas A&M, outros grupos científicos vêm testando sprays nasais experimentais contra doenças neurodegenerativas.
Um dos estudos acompanha o uso de um anticorpo monoclonal administrado por spray nasal em pacientes com Alzheimer, esclerose múltipla, ELA e Covid longa. Pesquisadores relatam sinais iniciais de redução da inflamação cerebral, embora ainda não exista comprovação de melhora definitiva na memória ou no raciocínio.
Especialistas pedem cautela
Apesar do entusiasmo, especialistas destacam que os resultados ainda são preliminares.
A diretora de engajamento científico da Alzheimer’s Association, Courtney Kloske, afirmou que estudos em animais ajudam a compreender a biologia da doença, mas que testes clínicos em humanos continuam sendo fundamentais antes de qualquer conclusão sobre eficácia e segurança.
Hoje, o Alzheimer representa cerca de 70% dos casos de demência no mundo. A expectativa global é que o número de pessoas com demência ultrapasse 152 milhões até 2050 devido ao envelhecimento populacional.




