A recuperação da plataforma de lançamento danificada após a explosão do foguete New Glenn, da Blue Origin, pode levar até 2028. A avaliação foi feita pelo administrador da NASA, Jared Isaacman, durante entrevista concedida nesta segunda-feira (1º), aumentando as preocupações sobre o cronograma de importantes missões espaciais dos próximos anos.
O incidente ocorreu na última quinta-feira durante um teste de ignição estática dos motores do foguete New Glenn no Complexo de Lançamento 36, localizado em Cabo Canaveral. Durante o procedimento, realizado com o veículo preso à base de lançamento, uma explosão transformou o local em uma grande bola de fogo.
Apesar da gravidade do acidente, não houve feridos. O fundador da empresa, Jeff Bezos, confirmou que todos os funcionários estavam em segurança e classificou o episódio como “um dia muito difícil” para a companhia.
Plataforma pode ficar comprometida por anos
Segundo Isaacman, os danos exigirão um longo processo de recuperação. Embora a empresa já tenha retomado acesso limitado ao local para iniciar as investigações, a reconstrução completa poderá se estender pelos próximos anos.
De acordo com o administrador da NASA, um prazo até 2028 para restabelecer totalmente a infraestrutura está “dentro do campo das possibilidades”. A plataforma afetada é atualmente a única instalação operacional capaz de lançar o foguete New Glenn.
O executivo destacou que especialistas da agência espacial norte-americana devem colaborar com a Blue Origin na análise das causas do acidente e na recuperação das operações.
“Precisamos entender exatamente o que aconteceu, identificar o que falhou e seguir em frente”, afirmou.
Impacto pode atingir missões lunares
O acidente ocorre em um momento importante para os planos espaciais dos Estados Unidos. A NASA possui diversos contratos com a Blue Origin dentro do programa Artemis, iniciativa que pretende levar astronautas americanos novamente à superfície da Lua até 2028.
Entre os projetos em andamento está o módulo lunar Blue Moon Mark 1, desenvolvido pela empresa para transportar cargas ao satélite natural da Terra.

A agência espacial também concedeu à Blue Origin um contrato de US$ 188 milhões para apoiar o desenvolvimento de uma futura base lunar, incluindo o transporte de dois veículos exploratórios para a Lua.
Segundo Isaacman, os cronogramas previstos para 2028 ainda oferecem margem para que a infraestrutura seja recuperada antes das missões mais importantes.
Investigação segue em andamento
O diretor executivo da Blue Origin, Dave Limp, informou que a empresa já iniciou uma investigação detalhada para determinar a origem da falha durante o teste.
Segundo ele, algumas estruturas da instalação permanecem em boas condições. A torre de suporte sofreu danos, mas poderá ser reparada sem a necessidade de demolição completa.
Limp também afirmou que equipes técnicas já trabalham em um plano de reconstrução para acelerar o retorno das operações.
SpaceX pode ganhar protagonismo
Com a paralisação temporária da infraestrutura da Blue Origin, a NASA poderá recorrer a outras alternativas para futuras missões.
Isaacman destacou que operações que exigem o transporte de grandes cargas para a Lua podem acabar dependendo de foguetes de alta capacidade já disponíveis no mercado, como o Falcon Heavy, desenvolvido pela SpaceX.



