O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) passará a contar, pela primeira vez, com a possibilidade de acompanhamento especializado para candidatos diagnosticados com transtornos mentais. A novidade foi incluída no edital de 2026 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e amplia as medidas de acessibilidade já oferecidas pelo exame.
A mudança permite que participantes com histórico de condições como crise de ansiedade, Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e fibromialgia solicitem atendimento especializado durante a inscrição. O pedido deverá ser realizado exclusivamente pela Página do Participante e acompanhado de documentação comprobatória, como laudo médico.
Caso a solicitação seja aprovada pelo Inep, o candidato poderá contar com um acompanhante autorizado para prestar suporte em situações de necessidade durante a aplicação das provas.
Como funcionará o acompanhamento
De acordo com as regras do edital, o acompanhante não permanecerá dentro da sala de prova. Ele ficará em uma sala reservada e monitorada por fiscais, podendo ser acionado em situações que exijam apoio ou estabilização emocional do participante.
O mesmo modelo já é utilizado para candidatas lactantes, cujos acompanhantes permanecem em ambiente separado para cuidar da criança durante a realização do exame.
Além disso, o espaço reservado poderá ser utilizado por profissionais ou familiares que auxiliem participantes com necessidades específicas relacionadas à locomoção, alimentação ou uso do banheiro durante a aplicação das provas.
Todos os acompanhantes serão submetidos à inspeção por detector de metais e não terão acesso ao conteúdo da avaliação.
Ampliação do atendimento especializado
Além dos transtornos mentais e da fibromialgia, continuam aptos a solicitar atendimento especializado candidatos com baixa visão, cegueira, deficiência física, deficiência auditiva, surdez, deficiência intelectual, dislexia, Transtorno do Espectro Autista (TEA), diabetes, além de gestantes, lactantes, idosos e estudantes em classe hospitalar.
Os participantes que tiverem o pedido aprovado poderão utilizar diversos recursos de acessibilidade, incluindo cão-guia ou cão de apoio emocional, aparelhos auditivos, implantes cocleares, máquinas de escrever em Braille, lupas, canetas de ponta grossa, tábuas de apoio, medidores de glicose, bombas de insulina e outros equipamentos autorizados pelo Inep.
Todos os materiais passam por vistoria da coordenação do local de aplicação.
Cresce demanda por acessibilidade no exame
Os números do Inep mostram uma expansão significativa da procura por atendimento especializado nos últimos anos. Em 2025, cerca de 116 mil participantes solicitaram recursos de acessibilidade, resultando na autorização de aproximadamente 165 mil atendimentos e adaptações.
Entre 2022 e 2025, o número de participantes beneficiados por atendimento especializado aumentou 191%, passando de 30.856 para 89.770 candidatos.
O Enem é atualmente a principal avaliação de acesso ao ensino superior no país. As notas podem ser utilizadas em programas federais como o Sistema de Seleção Unificada, o Programa Universidade para Todos e o Fundo de Financiamento Estudantil, além de processos seletivos de universidades públicas e privadas.
Desde 2025, o exame também voltou a permitir a certificação da conclusão do ensino médio para candidatos com 18 anos ou mais que atinjam a pontuação mínima exigida nas áreas de conhecimento e na redação.
Os resultados ainda podem ser utilizados por estudantes interessados em ingressar em instituições de ensino superior de Portugal que mantêm convênios com o Inep para aproveitamento das notas do exame brasileiro.




