O Brasil entrou em estado de atenção após novas projeções climáticas apontarem a possibilidade de formação de um “super El Niño” entre o final de 2026 e o início de 2027. De acordo com estimativas do Centro Europeu de Previsão Meteorológica de Médio Prazo, o fenômeno pode atingir intensidade comparável aos eventos mais fortes já registrados, com potencial para se tornar o mais intenso em cerca de 140 anos.
O alerta ocorre em um momento em que o fenômeno climático já começa a dar sinais de fortalecimento no Oceano Pacífico. Meteorologistas observam um aquecimento acelerado das águas da região tropical, condição necessária para a caracterização do El Niño, que ocorre quando a temperatura da superfície do mar fica ao menos 0,5°C acima da média histórica.
A MetSul Meteorologia já advertiu que Paraná e Santa Catarina devem ser os primeiros estados brasileiros a sentir os impactos da mudança nos padrões atmosféricos, com previsão de volumes de chuva acima da média histórica e aumento da frequência de tempestades.

Sul deve registrar primeiros impactos
Segundo os especialistas, o rápido aquecimento das águas do Pacífico começa a alterar a circulação atmosférica global. Como consequência, regiões do Sul do Brasil podem enfrentar episódios mais frequentes de chuva intensa e instabilidade climática nos próximos meses.
Historicamente, eventos de El Niño costumam favorecer precipitações acima da média em parte da Região Sul, elevando o risco de enchentes, deslizamentos e transtornos urbanos em períodos de maior intensidade.
Apesar das projeções de longo prazo chamarem atenção, os meteorologistas ressaltam que ainda existe incerteza sobre a força definitiva do fenômeno e seus impactos regionais. A atmosfera nem sempre responde da mesma maneira aos diferentes episódios de El Niño.
Junho terá calor acima da média em grande parte do país
Embora o fenômeno esteja em desenvolvimento, especialistas afirmam que seus efeitos ainda não deverão influenciar de forma significativa o clima brasileiro durante junho.
De acordo com previsões climáticas, o mês será marcado por temperaturas acima da média em grande parte das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, além de áreas de Minas Gerais e Espírito Santo.
Já o Sul do país, São Paulo e parte do Rio de Janeiro poderão registrar temperaturas próximas ou ligeiramente abaixo da média em razão da maior nebulosidade e da passagem de massas de ar frio.
Os meteorologistas também projetam a atuação de duas frentes frias continentais ao longo do mês. Elas poderão provocar quedas mais acentuadas de temperatura na segunda quinzena de junho e nos primeiros dias do inverno, que começa oficialmente em 21 de junho.
Fenômeno já provocou grandes impactos no passado
O El Niño é um fenômeno natural associado ao aquecimento anômalo das águas superficiais do Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e influencia padrões climáticos em diversas partes do planeta.
Alguns dos episódios mais conhecidos ocorreram em 1982/1983, 1997/1998 e 2015/2016, períodos marcados por eventos extremos, secas severas, enchentes e alterações significativas nas temperaturas globais.
Apesar da preocupação com as projeções atuais, especialistas destacam que ainda é cedo para determinar se o evento previsto para 2026 e 2027 realmente atingirá níveis históricos.




