Diante de uma multidão estimada em 1,2 milhão de pessoas, o papa Leão XIV afirmou neste domingo (7), em Madri, que Deus se identifica especialmente com os pobres, os oprimidos e aqueles que vivem em situação de abandono. A declaração foi feita durante uma missa campal realizada nas proximidades da Praça Cibeles, um dos principais eventos da visita de uma semana do pontífice à Espanha.
Milhares de fiéis ocuparam ruas e avenidas próximas ao local da celebração desde as primeiras horas do dia. Quando o papa chegou, a multidão acenou com bandeiras, entoou cânticos de boas-vindas e lançou pétalas de flores ao longo do percurso.
Na homilia, Leão XIV incentivou os católicos a colocarem a fé em prática por meio da solidariedade e da ajuda ao próximo. Segundo o pontífice, Deus está ao lado daqueles que enfrentam pobreza, exclusão social e solidão.
Durante a passagem pela capital espanhola, o papa também manifestou o desejo de que Madri permaneça uma cidade aberta e acolhedora. Ao receber simbolicamente a chave da cidade das mãos do prefeito, ele destacou a importância de construir uma convivência baseada em valores humanos e no respeito às diferenças.
Discurso histórico no Parlamento espanhol
Outro momento marcante da viagem ocorreu durante a visita ao Congresso dos Deputados, tornando Leão XIV o primeiro papa a discursar na sede do Poder Legislativo espanhol.
Na ocasião, o pontífice fez um apelo em favor da paz internacional e criticou o avanço do rearmamento em diversas regiões do mundo. Segundo ele, a segurança das nações não deve ser construída apenas por meio da força militar, mas principalmente pelo respeito ao direito internacional e pela busca de soluções negociadas para os conflitos.
O líder da Igreja Católica também defendeu a proteção da vida, da família e da liberdade religiosa. Além disso, pediu respostas concretas para a crise migratória que afeta diferentes países, ressaltando a necessidade de políticas que combinem acolhimento, integração e respeito à dignidade humana.
Igreja enfrenta debate sobre abusos na Espanha
A visita papal acontece em um momento delicado para a Igreja Católica na Espanha, que vive uma nova etapa no processo de reparação às vítimas de abusos sexuais cometidos por integrantes do clero.
Neste ano, o governo espanhol e a conferência episcopal do país aprovaram um programa destinado a indenizar vítimas em casos envolvendo religiosos já falecidos ou situações cujos supostos crimes não podem mais ser processados judicialmente devido à prescrição.
O programa concede um prazo de um ano para apresentação dos pedidos de reparação. Até o momento, cerca de 420 pessoas já protocolaram solicitações.
O tema ganhou força após anos de denúncias sobre abusos e críticas à forma como a Igreja lidou com os casos. Embora algumas vítimas tenham recebido a iniciativa com esperança, outras ainda demonstram ceticismo quanto à efetividade do programa e à transparência dos processos de compensação.
Apesar dos desafios enfrentados pela Igreja Católica, a presença de Leão XIV mobilizou grandes públicos durante sua passagem pela Espanha.




