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QI da nova geração está desacelerando, revelam especialistas

Por Pedro Silvini
12/06/2026
Em Geral
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inteligência Mãe

(Reprodução/Magnific)

Pela primeira vez em mais de um século de medições, pesquisadores de diferentes países têm observado uma desaceleração e até mesmo uma queda nos índices médios de QI entre as gerações mais jovens. O fenômeno foi registrado em estudos realizados nos Estados Unidos, na Europa e em outras economias desenvolvidas, dando origem ao chamado “Efeito Flynn Reverso”.

As análises mais recentes apontam que, desde meados da década de 1990, as pontuações médias em testes de inteligência caíram entre cinco e sete pontos por geração em países como Noruega, Dinamarca, Finlândia, França, Reino Unido e Austrália. Apesar disso, especialistas destacam que a redução nas notas não significa necessariamente que a Geração Z ou os jovens do século XXI sejam menos inteligentes do que seus antecessores.

Durante boa parte do século XX, ocorreu o fenômeno oposto. O cientista James Flynn demonstrou que, entre as décadas de 1930 e 1970, os índices médios de QI aumentaram cerca de três pontos por década nos Estados Unidos e em outros países ocidentais.

Essa evolução parecia se manter até os anos 1990. No entanto, pesquisas realizadas posteriormente na Noruega, Dinamarca e em bancos de dados norte-americanos mostraram que os ganhos começaram a desaparecer e deram lugar a uma tendência de queda.

O próprio Flynn observou que as pontuações de crianças e adolescentes, inclusive dos grupos com melhores resultados, passaram a diminuir no início do século XXI. Em países nórdicos, ele chegou a projetar uma redução de aproximadamente sete pontos ao longo de três décadas.

Entre as hipóteses levantadas para explicar a desaceleração estão o uso excessivo de telas, mudanças nos hábitos de leitura, os impactos da pandemia de Covid-19, a crescente dependência de ferramentas de inteligência artificial e transformações no estilo de vida das novas gerações.

Apesar disso, pesquisadores alertam que as causas ainda não são totalmente compreendidas e que os números precisam ser analisados com cautela.

Testes de QI também são alvo de questionamentos

Parte da comunidade científica ressalta que os testes tradicionais de QI possuem limitações e podem não ser capazes de medir toda a complexidade da inteligência humana.

Há décadas, especialistas discutem se a capacidade de resolver questões padronizadas representa, de fato, as habilidades cognitivas utilizadas na vida cotidiana. O professor Edwin G. Boring, um dos pioneiros dos estudos sobre inteligência, chegou a resumir essa discussão na frase: “Inteligência é aquilo que os testes medem”.

Pesquisadores também apontam que aspectos culturais podem influenciar os resultados. Um exemplo foi relatado pela psicóloga educacional britânica Waveney Bushell, que mostrou como determinadas perguntas presentes em avaliações aplicadas no Reino Unido acabavam prejudicando crianças negras oriundas de famílias caribenhas, por utilizarem palavras diferentes das previstas nas provas.

Inteligência vai além dos números

A discussão sobre os limites dos testes de QI também foi abordada pela filósofa alemã Hannah Arendt. Ao analisar o julgamento do nazista Adolf Eichmann, ela chamou atenção para aquilo que definiu como uma incapacidade de se colocar no lugar do outro.

Para Arendt, a inteligência não pode ser reduzida apenas ao raciocínio lógico ou às notas obtidas em exames padronizados. Segundo a filósofa, uma das principais formas de “cegueira moral” é justamente a incapacidade de compreender as experiências e os sentimentos de outras pessoas.

Casos históricos reforçam esse debate. Antes dos julgamentos de Nuremberg, psicólogos americanos avaliaram integrantes da cúpula nazista e encontraram índices de QI elevados em alguns deles, demonstrando que altas pontuações em testes não são necessariamente sinônimo de sabedoria, empatia ou capacidade moral.

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Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista com formação em Mídias Sociais Digitais, colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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