Na semana passada, a Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados debateu a concessão do Bolsa Família a pessoas em situação de rua. O deputado Kim Kataguiri (Missão-SP) solicitou a audiência afirmando ter recebido denúncias de desvio dos cartões do programa para traficantes em troca da entrega de drogas.
De acordo com a Agência Câmara de Notícias, o vereador Mateus Batista (União), de Joiville, Santa Catarina, afirmou que, ao colocar a população em situação de rua como prioridade no recebimento do Bolsa Família, o governo teria acabado facilitando o acesso às drogas para essas pessoas. “E aí a gente enxerga esses vários relatos de todas as forças de segurança, de todos os profissionais dessa área; de moradores de rua que já deixam o cartão do Bolsa Família com o próprio traficante e só vão no final do mês receber a droga”, afirmou Batista.
O vereador defende a restrição do acesso desse público ao Bolsa Família, argumentando que as pessoas em situação de rua já estariam sendo atendidas por outros programas, como os restaurantes populares.
Segundo o censo de 2024 feito pela Prefeitura do Rio de Janeiro, 81,8% da população em situação de rua afirmou que fazia uso de alguma droga, incluindo álcool e tabaco.
Deputado do PT defendeu o Bolsa Família
“Qual a solução? É excluir essas pessoas do Bolsa Família? Não, não acredito que a solução seja esta, até porque o número é muito pequeno”, afirmou o deputado Merlong Solano (PT-PI). Ele pontuou que, no ano passado, das 19 milhões de famílias atendidas pelo Bolsa Família, as pessoas em situação de rua eram apenas 277 mil. “E não acredito que todas as 200 mil tenham esse problema que você identificou”, completou Solano.
Edson Lima, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, argumentou que o Bolsa Família é combater a fome de forma imediata e que a questão da dependência química deve ser tratada por outras políticas públicas.




