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Cientistas alertam para “tragédia” que pode fazer brasileiros pagarem mais caro na conta de luz em 2027

Por Pedro Silvini
21/06/2026
Em Geral
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Foto: (Reprodução/Magnific)

A confirmação do retorno do fenômeno El Niño pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) acendeu um sinal de alerta entre cientistas e especialistas do setor elétrico. Segundo projeções divulgadas pela agência norte-americana, existe 63% de probabilidade de que o evento atinja a categoria “muito forte” entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, cenário que pode provocar reflexos no abastecimento energético e pressionar ainda mais as contas de luz dos brasileiros.

Caso a previsão se confirme, o fenômeno poderá se juntar aos episódios mais intensos registrados desde 1950, como os de 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, provocado pelo enfraquecimento dos ventos alísios. Essa alteração modifica os padrões atmosféricos em diversas regiões do planeta, influenciando a distribuição das chuvas e a ocorrência de eventos climáticos extremos.

Modelos climáticos apontam que a temperatura do mar pode superar em mais de 2°C a média histórica na região monitorada do Pacífico, limite considerado pela NOAA como suficiente para classificar o fenômeno como “muito forte”. Na prática, especialistas chamam esse cenário de “super El Niño”.

No Brasil, os efeitos costumam incluir secas em algumas regiões, enchentes em outras e ondas de calor mais intensas.

Reservatórios cheios podem criar falsa sensação de segurança

Apesar das preocupações para 2027, o sistema elétrico brasileiro inicia este ciclo em uma situação considerada favorável. Os reservatórios das hidrelétricas do Nordeste operam entre 95% e 100% da capacidade após dois anos de chuvas acima da média.

No Sudeste e no Centro-Oeste, regiões que concentram aproximadamente 70% da capacidade de armazenamento hídrico do país, os níveis também permanecem estáveis.

Especialistas, no entanto, alertam que essa condição confortável pode mascarar os riscos futuros. Isso porque o fenômeno se desenvolve em um cenário de aquecimento global e após uma sequência de eventos extremos registrados nos últimos anos.

Brasil ainda sente efeitos da seca histórica

Outro fator de preocupação é a chamada “memória climática”. A seca registrada entre 2023 e 2024 foi considerada a mais extensa dos últimos 70 anos no Brasil, atingindo mais de 80% dos municípios em algum grau.

Mesmo com a recuperação dos reservatórios, especialistas observam que solos, rios e ecossistemas ainda carregam consequências desse período de estiagem, aumentando a vulnerabilidade diante de um novo evento climático intenso.

Uma nota técnica divulgada em abril de 2026 pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) aponta elevada probabilidade de permanência do fenômeno ao longo do segundo semestre de 2026 e nos primeiros meses de 2027.

Conta de luz já deverá subir em 2026

Enquanto os impactos de um eventual “super El Niño” ainda são acompanhados, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já prevê aumento médio de 8,6% nas tarifas de energia em 2026.

O índice supera as projeções de inflação para o período, estimadas em 5,8% pelo IGP-M e em 4,9% pelo IPCA.

Segundo a agência, a alta é impulsionada principalmente pelo crescimento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), responsável por financiar subsídios e políticas públicas do setor, além da elevação do custo da geração de energia.

Embora ainda seja cedo para estimar os efeitos sobre as contas de luz em 2027, especialistas avaliam que um El Niño muito forte poderia reduzir a disponibilidade hídrica em algumas regiões e aumentar a necessidade de acionamento de fontes de energia mais caras, como as termelétricas.

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Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista com formação em Mídias Sociais Digitais, colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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