Em 1992, o etnobotânico estadunidense Terence McKenna publicou o livro Food of the Gods* em que ele propõe a teoria que ficou conhecida como Stoned Ape (Macaco chapado em português). Em sua teoria, McKenna propõe uma ligação entre o consumo de cogumelos psicodélicos e a evolução humana, incluindo o desenvolvimento da linguagem.
*Para os interessados, infelizmente nenhuma editora brasileira detém os direitos desse livro atualmente, mas ele já foi publicado por aqui pela Record nos anos 1990, então você provavelmente consegue encontrar versões usadas em sebos ou sites como o Estante Virtual.
Como explica o Psychology Today, McKenna sugeriu que o consumo de cogumelos psicodélicos a cerca de 100 mil anos atrás teria servido como um “catalisador evolutivo que engatilhou linguagem, imaginação, artes, religião, filosofia, ciência e outros componentes da cultura humana”. “Ele propôs que diferentes doses de psilocibina produzem efeitos distintos, incluindo percepção sensorial aprimorada, funcionamento cognitivo aprimorado e aumento da atividade na ‘região formadora de linguagem do cérebro'”, explica o Psychology.
Outros estudos podem apoiar a teoria de McKenna
Desde que essa teoria foi proposta, há mais de 30 anos, foram encontradas evidências que podem apoiá-la. Um exemplo é um estudo comandado pelo Dr. Charles Grob, da Universidade da Califórnia, que investigou os efeitos do uso regular da ayahuasca no Brasil no começo dos anos 1990. Eles descobriram que os indivíduos que usavam ayahuasca com frequência pontuavam mais alto em testes neuropsicológicos do que os que não usavam.
Outro exemplo é um estudo feito no Brasil pelo Dr. Rafael dos Santos, que revisou 28 artigos e descobriu que o uso da substância estava associado com “aumento da espessura cortical do córtex cingulado anterior”. Mais um estudo feito aqui, pelo Dr. José Carlos Bouso, descobriu que usuários de ayahuasca tinham “funcionamento neuropsicológico melhorado”.




