A presença de brasileiros nas escolas públicas de Portugal atingiu níveis recordes e já coloca o país em estado de atenção para os desafios da integração e da gestão do sistema educacional. Dados apresentados no Balanço Anual da Educação 2026, elaborado pela Edulog, da Fundação Belmiro de Azevedo, mostram que os estudantes brasileiros representam aproximadamente metade de todos os alunos estrangeiros matriculados na rede pública portuguesa.
Segundo o levantamento, os estrangeiros correspondem atualmente a 15% da população escolar do país. No total, são 164.492 estudantes de outras nacionalidades, dos quais cerca de 82 mil são brasileiros.
Os números se referem ao ano letivo de 2023/24 e, segundo os responsáveis pelo estudo, podem ser ainda maiores atualmente em razão do crescimento contínuo da comunidade brasileira em Portugal.
Portugal abriga a maior comunidade brasileira da Europa, estimada em cerca de 500 mil pessoas. A forte presença dos imigrantes também se reflete nas salas de aula, onde os brasileiros se consolidaram como a principal nacionalidade entre os estudantes estrangeiros.
O avanço da imigração ao longo dos últimos anos contribuiu para elevar a participação dos alunos de outros países no sistema educacional português, cenário que tem provocado debates sobre políticas de integração e adaptação das escolas à diversidade cultural.
Portugal deixa de ser principal destino para muitos brasileiros
Apesar do elevado número de brasileiros no país, Portugal vem perdendo espaço como destino preferido de quem pretende deixar o Brasil. A combinação entre baixos salários, aumento do custo de vida, alta dos aluguéis e mudanças nas regras migratórias tem levado parte dos imigrantes a buscar alternativas em outros países europeus, principalmente a Espanha.
Dados do Consulado do Brasil em Madri mostram que havia 195 mil brasileiros oficialmente residentes na Espanha em 2025, um crescimento de 25% em relação aos três anos anteriores.
Somente entre fevereiro e abril deste ano, cerca de 6,3 mil brasileiros se mudaram para o país, segundo estimativas do Instituto Nacional de Estatística da Espanha. Mantido esse ritmo, o fluxo anual poderá superar 25 mil pessoas.
Novas leis endureceram regras em Portugal
A mudança no perfil migratório ocorre após a aprovação de duas legislações que alteraram significativamente as condições de permanência para estrangeiros em Portugal.
A Lei dos Estrangeiros de 2025 acabou com a possibilidade de entrada como turista seguida de regularização no território português. Já a Lei da Nacionalidade de 2026 ampliou de cinco para sete anos o prazo mínimo para obtenção da cidadania e endureceu as regras para o reagrupamento familiar.
Além disso, a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) tem sido alvo de críticas devido à lentidão nos processos de regularização de estrangeiros.
Salários menores e aluguéis mais altos pesam na decisão
Outro fator apontado como responsável pela mudança é o cenário econômico. Dados do Eurostat mostram que o salário mínimo português, atualmente em 920 euros, ocupa apenas a 12ª posição entre os países da União Europeia e está 146 euros abaixo da média do bloco.
Ao mesmo tempo, os preços dos arrendamentos, equivalente ao aluguel no Brasil, registraram alta de 17,5% no segundo semestre de 2025, pressionando ainda mais o orçamento das famílias.




