O Japão desenvolve desde a década de 1970 um sistema ferroviário de alta velocidade que utiliza levitação magnética para eliminar o contato entre os trens e os trilhos. A tecnologia, batizada de SCMaglev, é fruto de pesquisas conduzidas pela Central Japan Railway Company em parceria com o Railway Technical Research Institute e já alcançou a marca de 603 quilômetros por hora em testes, o que representa um recorde mundial para veículos sobre trilhos.
Diferentemente dos trens convencionais, que dependem de rodas sobre trilhos de aço, o maglev flutua a cerca de 10 centímetros acima da via. Esse efeito é obtido por meio de um sistema de suspensão eletrodinâmica, no qual bobinas metálicas dispostas em formato de oito nos trilhos interagem com eletroímãs supercondutores instalados nos vagões.
Quando o trem parte, ele se desloca inicialmente sobre rodas de borracha até atingir 150 quilômetros por hora. A partir dessa velocidade, a força magnética gerada é suficiente para suspender completamente o veículo, eliminando o atrito e permitindo acelerações progressivas.
A mesma interação magnética que sustenta o trem também é responsável por impulsioná-lo para frente e mantê-lo alinhado no centro da via. Esse princípio, que também fundamenta projetos como o Hyperloop da Tesla, confere ao trajeto estabilidade e reduz significativamente os riscos operacionais, tornando o sistema considerado extremamente seguro pelos especialistas.
Comparação com o Brasil
O Brasil ainda patina na velocidade de seus sistemas metropolitanos. Dados do Estadão de 2023 mostram que a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos e a Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre dividem a liderança nacional, com trens que alcançam os 90 km/h.
A diferença entre os dois países é gigantesca: a tecnologia japonesa é mais de cinco vezes mais rápida que a brasileira.
Rede de trens-bala no Japão
O Japão já possui uma rede consolidada de trens-bala, os Shinkansen, em atividade desde 1964. O novo corredor, batizado de Chuo Shinkansen, está projetado para operar comercialmente a 500 quilômetros por hora, embora os responsáveis ainda não tenham confirmado quando os passageiros poderão utilizar o serviço.












