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Preguiça gigante maior que um elefante foi descoberta em Minas Gerais

Por Pedro Silvini
17/06/2026
Em Geral
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caverna vale minas

Foto: (Divulgação/Vale)

Pesquisadores identificaram em Minas Gerais uma gigantesca paleotoca, espécie de caverna escavada por animais pré-históricos, que revela a presença de preguiças-gigantes que viveram na região há pelo menos 10 mil anos. Os animais, maiores que muitos elefantes atuais, podiam alcançar seis metros de comprimento e pesar até cinco toneladas.

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A estrutura está localizada em uma área da Vale próxima ao Parque Nacional da Serra do Gandarela, no Quadrilátero Ferrífero, e possui 340 metros de extensão, sendo considerada a maior paleotoca já conhecida em território mineiro. Embora a descoberta da cavidade tenha sido registrada em 2023 pelos estudos mais recentes, a estrutura já vinha sendo monitorada e é classificada como uma “cavidade de máxima relevância”, condição que garante proteção permanente pela legislação brasileira.

Os pesquisadores encontraram túneis, salões escavados e ranhuras nas paredes e no teto da caverna. As marcas são compatíveis com a atividade de preguiças-gigantes de dois dedos, pertencentes ao grupo dos milodontídeos cavadores.

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Segundo os estudos, as características da cavidade e as marcas deixadas pelas garras foram fundamentais para comprovar que os enormes mamíferos utilizaram o local como abrigo.

Batizada de AP38, a paleotoca é uma das maiores cavernas ferríferas da região e atualmente também serve de refúgio para diversas espécies que habitam ambientes subterrâneos.

Animal superava o tamanho de muitos elefantes

As preguiças terrestres pré-históricas habitavam as Américas e conviviam com outros representantes da megafauna, como mastodontes, tigres-dentes-de-sabre e tatus-gigantes.

Uma das espécies mais conhecidas, a Eremotherium laurillardi, podia atingir cerca de seis metros de comprimento, quase dois metros de altura apoiada nas quatro patas e pesar até cinco toneladas. Para efeito de comparação, elefantes atuais podem chegar a aproximadamente quatro metros de altura.

Concepção artística do animal – Foto: (Reprodução/Rodolfo Nogueira)

Apesar das dimensões impressionantes, esses animais eram herbívoros. Alimentavam-se de folhas, brotos, ramos e gramíneas, chegando a consumir cerca de 300 quilos de vegetação por dia. As grandes garras eram usadas tanto para alcançar alimentos nas árvores quanto para escavar os abrigos subterrâneos.

Local é alvo de proteção judicial

A importância científica da paleotoca levou o Ministério Público de Minas Gerais a pedir proteção especial para a área. Em decisão judicial, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais proibiu que a Vale ou autoridades estaduais e municipais promovam ações que possam causar destruição ou deterioração do sítio pré-histórico.

Pesquisadores também defendem a criação de uma área de preservação ambiental de aproximadamente 40 hectares ao redor da cavidade.

Para o pesquisador Rodrigo Lopes Ferreira, da Universidade Federal de Lavras (UFLA), esses ambientes são fundamentais para compreender a evolução da vida no planeta.

Fósseis ajudam a entender a megafauna brasileira

Vestígios de outras preguiças-gigantes também vêm sendo estudados no Brasil. Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) catalogaram recentemente ossos da espécie Catonyx cuvieri, encontrados no Vale do Ribeira, em São Paulo.

Os estudos indicam que esses gigantes da megafauna viveram em ambientes de transição entre Cerrado e florestas densas e provavelmente chegaram a conviver com os primeiros grupos humanos que habitaram a América do Sul.

As descobertas ajudam a reconstruir como era a fauna brasileira durante o Pleistoceno, período que se estendeu entre cerca de 2,5 milhões e 11 mil anos atrás.

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Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista com formação em Mídias Sociais Digitais, colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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