A possibilidade de privatização da Caixa Econômica Federal, da Petrobras e do Banco do Brasil voltou ao debate após integrantes da equipe econômica do pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) afirmarem que pretendem colocar essas empresas no programa de desestatizações a partir de 2027, caso ele vença as eleições. A proposta integra o plano econômico elaborado para uma eventual gestão do ex-governador de Minas Gerais e ainda depende de uma eventual vitória nas urnas, além do cumprimento de etapas legais e políticas.
Segundo Carlos da Costa, ex-secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade no governo Jair Bolsonaro e responsável pela elaboração da plataforma econômica de Zema, a intenção é iniciar o processo de privatização já no primeiro ano de governo. Além das três estatais, o plano prevê a venda de pelo menos um quarto dos imóveis da União e uma revisão de políticas sociais consideradas pela equipe como pouco eficientes.
De acordo com a equipe econômica do Novo, os recursos obtidos com a venda de empresas estatais seriam destinados principalmente a investimentos em infraestrutura, como rodovias, ferrovias, hidrovias e portos.
Em evento partidário realizado anteriormente, Romeu Zema afirmou que pretende começar pela privatização da Petrobras e do Banco do Brasil. Segundo o pré-candidato, os recursos arrecadados não seriam utilizados para custear despesas do governo federal, mas direcionados para obras estruturantes com o objetivo de impulsionar o crescimento econômico.
Outro ponto apresentado pela equipe é a redução de gastos públicos, diminuição da dívida pública e adoção de medidas voltadas ao estímulo da atividade econômica.

Modelo foi inspirado em experiência internacional
Segundo Carlos da Costa, a elaboração do programa econômico teve como inspiração um modelo desenvolvido pela organização conservadora norte-americana Heritage Foundation para um eventual governo de Donald Trump nos Estados Unidos.
A proposta também prevê que centenas de profissionais sejam previamente preparados para assumir cargos estratégicos em caso de vitória eleitoral, permitindo que atos administrativos e normativos sejam implementados logo no início do mandato.
Apesar das declarações, nenhuma das privatizações anunciadas está garantida. As propostas somente poderiam avançar caso Romeu Zema fosse eleito presidente da República em 2026.
Mesmo em caso de vitória, medidas desse porte normalmente exigem tramitação legislativa, aprovação do Congresso Nacional e cumprimento das exigências legais aplicáveis a cada empresa estatal antes de qualquer processo de privatização.
Cenário eleitoral
As declarações ocorrem em meio ao início da disputa presidencial de 2026. Pesquisa BTG/Nexus divulgada recentemente mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 41% das intenções de voto no primeiro turno, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), com 37%. No mesmo levantamento, Romeu Zema aparece com 3% das intenções de voto.
Dessa forma, a proposta de privatização da Caixa Econômica Federal, Petrobras e Banco do Brasil faz parte da plataforma defendida pelo pré-candidato do Novo para uma eventual gestão federal, mas a implementação depende tanto do resultado das eleições quanto da aprovação das medidas pelas instâncias competentes.












