Um dos símbolos mais famosos da Inglaterra e da lenda de Robin Hood chegou ao fim. O Major Oak, carvalho com cerca de 1.200 anos localizado na Floresta de Sherwood, em Nottingham, é considerado morto por especialistas após não apresentar novos brotos na primavera deste ano.
A confirmação foi feita pela Sociedade Real para a Proteção das Aves (RSPB, na sigla em inglês), responsável pela preservação da área. Apesar disso, a árvore permanecerá em pé e continuará sendo tratada como um monumento natural e histórico.
Com copa de 28 metros de largura e tronco de aproximadamente 11 metros de circunferência, o Major Oak era um dos maiores carvalhos do Reino Unido e se transformou em uma das atrações mais populares da Floresta de Sherwood graças à sua associação com Robin Hood.
Segundo a RSPB, o enorme fluxo de visitantes ao longo dos últimos dois séculos acabou compactando o solo ao redor da árvore, dificultando a absorção de água pelas raízes. De acordo com os especialistas, a terra chegou a ficar tão endurecida quanto concreto em alguns pontos.
Além disso, os últimos anos foram marcados por verões extremamente quentes e secos. O mês de julho de 2022, quando o Reino Unido registrou temperaturas recordes de 40°C, é apontado como um dos períodos mais prejudiciais para a sobrevivência da árvore.
Árvore já era monitorada e recebia estruturas de apoio
Os primeiros suportes para sustentar alguns galhos do Major Oak foram instalados ainda no início do século XX. Na década de 1970, a área em torno do tronco foi cercada para tentar reduzir os impactos da presença humana.
Apesar de rumores anteriores sobre sua morte, o carvalho havia conseguido sobreviver até então.
“Ele testemunhou uma enorme quantidade de atividade ao longo dos séculos”, afirmou Chloe Ryder, gerente de operações da RSPB em Sherwood Forest à BBC.
Relação com Robin Hood atravessou séculos
A Floresta de Sherwood é tradicionalmente apontada como o esconderijo de Robin Hood, personagem lendário conhecido por roubar dos ricos para ajudar os pobres enquanto escapava do Xerife de Nottingham.
As primeiras referências ao herói inglês surgiram no século XIV e, desde então, a história foi retratada em livros, filmes e séries de televisão.
Embora os relatos medievais mais antigos não mencionem especificamente o Major Oak, o historiador Alex Brown, da Universidade de Durham, explica que as histórias citavam árvores de encontro, conhecidas como “trystle trees”, onde as pessoas sabiam que poderiam encontrar Robin Hood e seus companheiros.
Segundo ele, é possível que uma árvore marcante da floresta tenha sido associada ao personagem desde os primórdios da lenda.
Descendentes do carvalho já estão espalhados pelo mundo
Antes do declínio definitivo, bolotas e mudas do Major Oak foram utilizadas para produzir novos exemplares da árvore, plantados em diferentes países.
Uma dessas mudas está em Winfield House, residência oficial do embaixador dos Estados Unidos em Londres.
Assim, embora o carvalho lendário tenha chegado ao fim após cerca de 1.200 anos de existência, linhagem e ligação com a história de Robin Hood devem continuar preservadas para as próximas gerações.




