A Argentina pode ganhar um papel ainda maior na organização da Copa do Mundo de 2030. A Associação de Futebol Argentino (AFA) revelou nesta quinta-feira (6) que trabalha para que o país receba uma fase completa do Mundial, que será realizado oficialmente por Espanha, Portugal e Marrocos, com Argentina, Uruguai e Paraguai sediando partidas especiais em celebração ao centenário da competição.
A estratégia da entidade está diretamente ligada à possibilidade de a Fifa ampliar o torneio de 48 para 64 seleções. O presidente da AFA, Claudio “Chiqui” Tapia, afirmou que a federação pretende disputar a oportunidade de receber uma etapa inteira da competição e defendeu que a edição comemorativa tenha o maior número possível de participantes.
“Qual é a partida mais importante da Copa do Mundo? A primeira e a última. Nós temos o primeiro jogo e estamos lutando para ter uma fase completa (na Argentina), com zero custos. Lutando para que a Copa do Mundo de 2030 seja com 64 seleções e que a Argentina receba uma fase completa”, declarou Tapia ao TyC Sports.
A proposta, no entanto, ainda depende de uma decisão da Fifa sobre o formato do Mundial. A entidade máxima do futebol mundial analisa atualmente os possíveis impactos de uma expansão para 64 equipes justamente na edição que marcará os 100 anos da Copa.

Fifa avalia Mundial com 64 seleções
A Fifa pretende contratar uma agência independente para estudar a possibilidade de aumentar novamente o número de participantes. O Mundial de 2026, que será disputado nos Estados Unidos, México e Canadá, já representa uma mudança histórica, passando de 32 para 48 seleções.
A expansão de 2026 acrescentou quatro grupos ao formato anterior e criou uma rodada extra no mata-mata. O torneio terá 104 partidas e será disputado ao longo de mais de cinco semanas.
Agora, a possível chegada de 64 equipes acrescentaria outras 16 seleções à competição. A análise encomendada pela Fifa deverá avaliar os efeitos da mudança sobre a qualidade do torneio, equilíbrio competitivo, sistema de classificação, calendário internacional, bem-estar dos jogadores e complexidade operacional.
A entidade também pretende calcular o impacto financeiro da ampliação, considerando receitas provenientes de ingressos, patrocínios e direitos de transmissão. A recomendação final deverá determinar se um Mundial com 64 participantes seria capaz de gerar valor adicional de maneira sustentável.
A escolha da agência responsável pelo estudo está prevista para 14 de agosto, enquanto a conclusão da análise deverá ser apresentada até 11 de setembro.
Argentina já tem partida garantida
Mesmo sem a ampliação para 64 seleções, a Argentina já possui participação assegurada na Copa do Mundo de 2030 como uma das sedes da celebração do centenário. O país receberá uma partida, assim como Uruguai e Paraguai.
A edição será oficialmente organizada por Espanha, Portugal e Marrocos, enquanto os três países sul-americanos terão jogos comemorativos. A ideia da AFA é transformar a participação argentina em algo maior caso a Fifa aprove o novo formato.
A proposta de 64 seleções, porém, enfrenta resistência dentro do futebol internacional. O presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, já afirmou anteriormente que considera a expansão uma má ideia, posição que permanece entre as preocupações do futebol europeu. O presidente da Confederação Asiática de Futebol, Sheikh Salman bin Ibrahim Al Khalifa, também questionou até onde o torneio poderia continuar crescendo.
Entre os argumentos contrários estão o risco de perda de competitividade, excesso de partidas, aumento da carga sobre os jogadores, dificuldades de organização e saturação do mercado.
A ideia, por outro lado, permitiria que mais países participassem justamente da edição que celebrará o centenário da Copa do Mundo. A proposta de um Mundial com 64 seleções já havia sido apresentada oficialmente pela Conmebol no ano passado.
Disputa pela final também está em aberto
Outro ponto ainda indefinido na organização da Copa de 2030 é o estádio que receberá a final. A Fifa negou recentemente informações da imprensa britânica segundo as quais o presidente Gianni Infantino teria prometido ao Marrocos o direito de sediar a decisão.
Em comunicado, a entidade afirmou que é “falso e enganoso” dizer que o presidente da Fifa tenha feito qualquer promessa sobre a sede da final. Segundo a organização, a escolha será feita posteriormente.
O governo espanhol também reagiu ao assunto. A ministra espanhola Elma Saiz Tolón afirmou que ficou surpresa com a informação, mas destacou que a própria Fifa negou a existência de um acordo. A Espanha mantém o objetivo de receber a partida decisiva do Mundial.











