O setor automotivo europeu passa por uma profunda transformação e algumas vítimas desse processo já começam a aparecer. Em meio ao plano de reestruturação do Grupo Volkswagen, modelos tradicionais da Audi e da Volkswagen estão sendo retirados de linha, marcando o fim de uma era para veículos que conquistaram espaço no mercado ao longo das últimas décadas.
Entre os modelos que tiveram a produção encerrada ou já possuem data definida para sair de cena estão os Audi A1 e Q2, além da Volkswagen Touran e do T-Roc Cabriolet. As decisões fazem parte da estratégia da montadora alemã para reduzir custos, simplificar operações e concentrar investimentos em modelos com maior demanda e rentabilidade.
Lançado em 2010, o A1 tornou-se a porta de entrada para muitos consumidores da marca alemã. Ao longo de sua trajetória, acumulou 1.389.658 unidades vendidas. Baseado na plataforma do Volkswagen Polo, o compacto ganhou versões esportivas e edições especiais, consolidando-se como um dos principais representantes da marca no segmento de entrada.
Já o Q2, apresentado em 2016, registrou 887.231 unidades produzidas. O SUV compacto tornou-se popular em mercados como Alemanha, Reino Unido e Itália, ajudando a ampliar a presença da Audi em um segmento que cresceu rapidamente na última década.
Apesar dos números expressivos, nenhum dos dois terá substituto direto com motor a combustão. A estratégia da fabricante é direcionar seus investimentos para veículos elétricos e modelos de maior rentabilidade. A expectativa é que o futuro A2 E-tron assuma o papel de modelo de entrada da marca.
Volkswagen também reduz portfólio
Na Volkswagen, a tradicional minivan Touran já foi retirada do mercado. Outro modelo com os dias contados é o T-Roc Cabriolet, versão conversível do SUV T-Roc, cuja produção será encerrada em 2027.
O movimento faz parte de um amplo programa de racionalização da linha de produtos do grupo, que pretende reduzir o número de plataformas e arquiteturas eletrônicas utilizadas por suas marcas.
Segundo a empresa, a simplificação dos processos ajudará a diminuir custos e combater o problema da capacidade ociosa nas fábricas europeias, que atualmente produzem mais veículos do que a demanda do mercado absorve.
Corte de custos inclui redução de empregos
A reestruturação vai além dos veículos. O Grupo Volkswagen informou que pretende eliminar até 50 mil postos de trabalho até 2030 nas operações da Volkswagen, Audi, Porsche e da divisão de software CARIAD.
Somente na marca Volkswagen, cerca de 35 mil vagas deverão ser cortadas. Segundo a companhia, mais de 28 mil acordos já foram firmados com funcionários.
A montadora afirma que os custos operacionais em suas fábricas na Alemanha já foram reduzidos em mais de 20% apenas em 2025.
Foco em modelos mais lucrativos
Enquanto alguns carros deixam o mercado, a Volkswagen promete ampliar os investimentos em produtos com maior potencial de vendas. O grupo planeja lançar cerca de 20 novidades ao longo de 2026, considerando todas as marcas que fazem parte da companhia.
De acordo com o CEO Oliver Blume, a estratégia passa por concentrar esforços nos veículos mais procurados pelos consumidores em cada região do mundo, aumentando o volume de produção por modelo e melhorando a rentabilidade.
A meta estabelecida pela empresa é alcançar, até 2030, uma margem de retorno sobre vendas entre 8% e 10%, além de consolidar a posição do grupo entre as montadoras mais competitivas do mercado global.




